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Pirão Sem Dono

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FAZENDO MINHA PARTE

06/17/2008 por VP

Diz na Bíblia que quem quer iluminar um lugar não coloca uma lâmpada embaixo da cama e sim em cima da mesa. Isto posto, eis um texto meu em lugar onde pessoas lêem.

Publicado em atualidades, crônicas | 10 Comentários

10 Respostas

  1. em 06/17/2008 às 3:14 PM Carol

    Brou, não sei se gostei muito do que entendi do que vc escreveu.
    (Já sou grandinha e sei que muitas vezes entendemos coisas que não têm nada a ver com o que está lá escrito.)
    Pareceu-me que o debate virou “esses riquinhos que poluem o mundo com seus produtos supérfluos”, enquanto sabe-se que a questão da poluição é bem mais profunda do que isso.
    Quando penso no luxo, penso na durabilidade da coisa também. Comprar um produto “premium” às vezes torna-se “mais ecológico” porque se compra uma única vez na vida. Comprar uma caneta Montblanc que vai acompanhar você por vinte anos, ou uma caneta xing-ling que vai quebrar no mesmo dia e ser descartada? Comprar uma única bolsa da Louis Vuitton (agora que me chicoteiam mesmo…) ou zilhões de bolsinhas inocentes importadas da China feitas sabe-se lá em que condições, com sabe-se lá que matéria-prima, forma de trabalho etc….? Comprar um sapatinho bááááásico na Constança Basto ou zilhões de sapatos mondrongos no Atacadão dos Calçados (lembra do comercial tosco deles que passa na tevê aqui?)?

    Infelizmente, o luxo se associou com qualidade. Quando encontro algo com qualidade e durabilidade barato, não tenho porque comprar o caro. E se não?

    Devo mencionar quem ficou bem feliz em dirigir meu ex-Peugeot a 140km na estrada de Piri? :-D

    Bjs. E Nossa Senhora do Cartão de Crédito me proteja dos comentários…


  2. em 06/17/2008 às 3:22 PM VP

    Bem, eu já estava esperando a sua chiadeira. Mas na verdade, acho que você não se ateve ao, como direi, fulcro da coisa. Tudo isso que você colocou como contraponto pobre do mercado de luxo – vamos lá, caneta montblanc x caneta xingling – faz parte do mesmo problema: a exacerbação do consumo. O fato é: quem consome a xingling o faz porque não pode comprar uma montblanc. Mas ninguém quer uma xingling, ninguém sonha com uma xingling, concorda? Do mesmo modo, ninguém sonha em andar de ônibus ou de van, mas sim em ter um carro. A pergunta é: quem mora no Plano Piloto de Brasília, que é um ovinho, se ele tivesse um bom sistema de transporte público, precisaria ter carro, ou usar o carro extensivamente como faz? Brasília precisaria ter, como tem, um milhão de automóveis na rua? Claro que não.

    Agora, sim, você tem razão. Eu não sou imune a tudo o que aprendi na vida, tudo ao que fui programado de nove às seis. Sim, eu adorei enfiar 140 no seu Peugeot, e adorei enfiar 160 no meu Mille, assim como adoraria enfiar 300 por hora numa Ferrari. Mas eu não sou consumidor de Ferrari e nem de Peugeot. Eu sou consumidor de carro 1000. E numa boa, tudo que eu queria no meu era um arcondicionado. De resto, minha “bota ortopédica” resolve todos os meus problemas. O resto é supérfluo, é tiração de onda, é inutilidade perfumada.


  3. em 06/17/2008 às 3:40 PM Carol

    Chiadeira? Eu inicio uma discussão de alto nível e é assim que sou recebida neste blog? Humpft…. ;-)

    Vou discordar de novo… é claro que ninguém quer comprar o tosco se pode comprar o bacana. Mas infelizmente existe a mentalidade de comprar zilhões de coisas “baratinhas” em vez de uma única bacana. Não precisa ser o mais caro de todo o mundo, mas um melhorzinho, que vá durar mais. Até alguns anos, talvez uma ou duas gerações, atrás, o “verdadeiramente rico” era assim. O rico era o cara que tinha uma coisa realmente fodástica e vivia em paz com isso. Você sabe que leio muitos livros de moda. Em nenhum deles se recomenda que a leitora tenha zilhões de peças no guarda-roupa e sim peças boas, que combinem, que lhe vistam bem. That’s it.

    Em outras palavras, é o que vc fez com o DVD da sony – deixou de comprar vários aparelhos CCE, que poderiam individualmente ser mais baratos, mas que ao longo do tempo poderiam não ser mais, e comprou um da Sony, que está aí “na luta” há três anos. Seu comportamento ilustra exatamente o que estou dizendo como “consumo consciente”. Mas, infelizmente, as pessoas (eu mesma, muitas vezes, que não sou perfeita) pensam primeiro e somente no bolso. Não é todo mundo que está honestamente disposto a pagar mais caro por algo “orgânico”, ou produzido sem explorar mão de obra infantil nem poluir o ambiente. Ao contrário. Não só não nos dispomos a isso como não nos dispomos a seriamente conhecer quem são essas empresas que nos vendem o que compramos. Será que a culpa é da “comunicação”? Não. Ela no máximo é ferramenta. Acho que a culpa é do “capitalismo selvagem” que se instaurou na maior parte do planeta.

    Pensemos em EUA, em NY. Nossa. Aquilo é a definição de comsumismo desenfreado e descartável. Por outro lado, tive a chance de por duas vezes ir ao Canadá, que acredito se aproximar bastante de um modelo de capitalismo + social-democracia um pouco mais consciente (ou um pouco menos despreocupado com tudo, se vc preferir) do que o americano. A diferença é gigante – e olha que falamos de países vizinho, com uma cachoeira no meio, falando a mesma língua e, às vezes, até usando a mesma moeda. É a cabeça que muda. Não conheço o Japão ou o norte da Europa, mas acredito que mude também. Aqui no Brasil, infelizmente temos todo o lado ruim da “colonização” americana, sem nenhuma de suas “vantagens”. Na média, bem entendido. Não estou dizendo que todo mundo é assim, 100% do tempo. Mas a maioria, na maior parte do tempo, é. E aí eu me incluo.


  4. em 06/17/2008 às 3:58 PM VP

    Olha, eu concordo com tudo o que você disse aí e nada disso retruca o que eu escrevi no texto do outro blog. Apenas uma coisa, vamos deixar claro: a vida e as nossas escolhas de consumo não são resolvidas nos extremos que você colocou. Entre uma caneta Montblanc e uma xingling existem milhares de opções, assim como de roupas, de sapatos, bolsas, automóveis e alimentos.

    Agora, só mais uma coisa que eu queria pontuar. Lutar contra a publicidade que está aí, não para exterminá-la, mas para evitar que ela seja – como efetivamente o é – nociva ao planeta na maior parte dos casos é uma coisa que eu quero fazer, brancaleonicamente ou não. Ninguem é obrigado a me seguir. Mas, aceitar tudo que está aí só porque “está aí mesmo porque o mundo é desse jeito mesmo”, é coisa que eu não consigo. E aí, o que eu posso fazer é usar do mesmo truque da publicidade. Eles não trabalham com o exemplo dos outros, com o uso do testemunho? Também darei o meu. E pronto. Se servir para os meus filhos já é alguma coisa.

    Por fim, quanto à comunicação não ser culpada das coisas e sim o “capitalismo”, ora, a comunicação é ferramenta sim, mas é ferramenta “sine qua non”. Tire-se a comunicação do processo e vejamos o que acontece. É como culpar o oxigênio pelos incêndios. Culpado ele não é, mas ele está lá e é parte indissolúvel da coisa.


  5. em 06/17/2008 às 5:20 PM Carol

    Certíssimo! Os padrões de consumo situam-se em uma longa escala que vai do mais caro que uma pessoa pode pagar até o mais tosco dos toscos. A minha OPINIÃO, note bem, é que, em geral, opta-se erradamente por se comprar mais de coisas erradas. E isso vale pra tudo: carros caros, canetas caras, sapatos caros, cigarros e o que mais a gente quiser encaixar aí. Então, se é pra falarmos de CONSUMO CONSCIENTE, temos que fazer algo mais profundo do que simplesmente estarmos na rua e comprarmos algo porque é baratinho, porque está na promoção, ou porque a Débora Secco usou na novela / revista Caras. Ah, a boa e velha socidade das massas…

    Quem sou eu pra pretender demover você da sua luta contra a publidade, mas eu não iria por este caminho. Posso dar uma outra sugestão? Boicote. Em vez de ficarmos vociferando pela internet que a publicidade é isso ou aquilo (eu só lembro do Toscani e seu “a publicidade é um cadáver que nos sorri”), boicotemos. A globo só passa lixo? Mudemos de canal. O lixo do globo é melhor do que o das outras? Desliguemos a tevê. Tal empresa polui, outra usa criancinhas, aquela não paga impostos? Boicote. Agora… dá pra fazer isso MESMO? Nem sempre. Dá para hoje, sinceramente, pensarmos em ter uma vida China-free? Você tem como assegurar que em tudo o que usa não existe um mísero componente chinês? Eu acho que não. Então… acabamos como Quixote brigando contra moinhos de vento, não?

    Talvez o que dê, sim, pra advogarmos é um consumo China-less. No que não tiver como, paciência. Mas, na média, evitemos a compra de quinquilharias desnecessárias (sim…. justamente as melhores…. snif snif snif) e pensemos em um consumo mais consciente com as nossas necessidades e também com as da sociedade e do planeta.


  6. em 06/17/2008 às 5:32 PM LaLontra

    Carol,
    posso meter o bedelho na discussão?
    Eu concordo com você que consumo consciente não pode focar só em quantidade, mas muito também em qualidade e origem dos produtos. O problema é mais grave do que essa rivalidade entre qualidade e quantidade. O cerne da questão é a cultura de descartar as coisas quando elas ainda podem dar conta das nossas necessidades e também de querer sempre ter canhões para matar mosquitos – de fabricar necessidades comportamentais, que pouquíssimo tem a ver com necessidades reais. Ok. A Montblanc vai durar a vida toda, se e somente se, o dono da “canetinha” não cultuá-la como se fosse um ídolo e começar a querer colecionar Montblancs, criando uma necessidade estúpida por vários exemplares de um produto que em essência é bom, sim, mas já é inútil/supérfluo para aquele consumidor, que afinal JÁ TEM uma mont-blanc (que dura a vida toda, certo?) Além disso, é mesmo necessário ter uma montblanc para fazer a lista do supermercado, a prova da escola e anotar os números da mega-sena? A xingling certamente vai explodir antes de gastar toda a tinta e provavelmente manchar camisas e documentos. Mas eu duvideodó que não exista uma caneta de médio valor que seja boa do início ao fim e não traga em seu preço o custo da ostentação. Romper esse ciclo é difícil demais, eu sei e sou “culpada” tanto quanto qualquer um. O problema mesmo é que a gente raras vezes percebe que a necessidade de “ser mais” freqüentemente nos faz menores, menores e menores. Afinal de contas, por mais que se tenha uma conta bancária sem fim, o x da coisa é ter sido feito de otário ao introjetar em seus hábitos uma necessidade que não é sua. Ou melhor, é uma necessidade nossa sim, mas não é a de se vestir, de se calçar, de comer ou de se locomover – é a necessidade de ser especial, de se sentir amado, de se sentir parte de um grupo seleto de pessoas melhores do que as outras. Infelizmente, toda a roda do consumo se baseia nisso: em criar insegurança e nunca satisfazê-la completamente. Quem quer uma Montblanc, não por precisar escrever, mas por precisar ter uma Montblanc, fará o impossível para tê-la – na medida de sua necessidade de aprovação. Se essa pessoa tiver realmente como sustentar essa insegurança, uma Montblanc talvez seja pouco, e além disso, a sua Montblanc gerará em vários outros a necessidade de também ter Montblancs, melhor em qualidade (leia-se preço) ou melhor em quantidade (leia-se dinheiro gasto também, mas em várias unidades). Quando a pessoa se tornar a rainha das Montblancs, ela não verá mais nenhuma graça em ter canetas. Provavelmente passará aos carros. Porque infelizmente não há limite que consiga suprir a necessidade fabricada de se ser super-humano: feliz em tudo, bonito em tudo, inteligente e bem sucedido em tudo, e, claro, permanentemente melhor do que todo mundo. E a fabricação desse ideal, sim, é muito culpa da publicidade. Aliás, capitalismo e publicidade são pedacinhos de um mesmo way of life. Não se separa uma coisa da outra.


  7. em 06/17/2008 às 6:13 PM Carol

    Thania: perfect!
    Foi exatamente o que eu pensei quando disse que os “velhos ricos”, ou melhor, os ricos de antigamente, eram diferentes. É aquela coisa: podemos ter uma caneta, uma bolsa, uma carteira etc a vida toda, se for de boa qualidade. Não, não precisa ser mont blanc. É claro que existem opções que não custam uma fortuna, não têm o status e funcionam tão bem quanto, ou até melhor, dependendo do uso que se der.
    Minha “briga” é justamente não resistirmos aos “cacarecos”, que são sim, fofos, cor-de-rosa e divertidos. É bom sair na rua e voltar cheia de pacotinhos? Nossa, é bom de-mais! Mas não é consciente, não é preocupado com o mundo, com as pessoas, com os animaizinhos. Quantas pessoas não conhecemos que “têm de tudo”, quando na verdade não têm é conteúdo?


  8. em 06/17/2008 às 8:31 PM Miriam

    Oi Marcos!
    Li o seu post lá no faça a sua parte e, como nunca perco uma dica da Lúcia Malla, resolvi ler os comentários para o post.
    Fui uma grande consumista. E sempre pensei que era melhor comprar algo de qualidade que um monte de quinquilharias. Não cheguei aos produtos de alto luxo por conta do salário não permitir… ah, mas assumo que eu sonhava em poder pisar na Daslu e mandar ver nas compras!
    De repente fiquei desempregada. Gastar a grana do marido para fazer as minhas comprinhas de sempre, nem pensar: algo que vai contra os meus principios. E nesse tempo, fui me dando conta que eu não precisava estar com o meu armário cheio de roupas para me sentir feliz. Que não preciso “ter mais” para “ser mais”, sabe como é?
    Mas continuo uma consumista… qaundo me vejo no meio danova livraria Cultura aqui em Campinas, fico alucinada e me esqueço do meu princípio básico de não torrar a grana do marido!
    E só um pedido… muda a cor das letras no blog, está difícil à beça pra ler!
    Abço


  9. em 07/31/2008 às 9:02 AM tarsischwald

    Bom, tu voltou sem muito alarde, eu mesmo nem soube. Gostei desse texto, concordo com ele, afinal tb sou publici-otário. E uma hora queria falar contigo, acho que temos alguns problemas e medos em comum, é bom fazer terapia de grupo e bolar o que fazer daqui pra frente.

    Abs!

    T§

    PS: E já está devidamente linkado no meu bloguinho que agora tem incríveis, sensacionais e fantásticas 160 pessoas visitando meu Blog por dia!!! Viu só, que impressionante!!! rs…


  10. em 07/31/2008 às 10:07 AM tarsischwald

    Bom, só agora puder ler todos os comentários e participar da questão.

    Vou dar meu testemunho de fé. O certo seria contar minha looonga história que vai da riqueza moderada à pobreza exacerbada. Faria mais sentido, mas vou poupá-los do dramalhão mexicano.

    Todos os comentários aqui tem algo de bom para acrescentar em ações práticas.

    É possível SIM, mudar hábitos. Acho fundamental mudarmos nossa mentalidade, antes de querer mudar o todo. Conheço gente que pagou 1500 reais em uma camiseta. O dinheiro é dele, certo? Certo, só que há limites para o desperdício e o exagero. Necessidade de status é uma fraqueza, hoje tenho absoluta certeza disso.

    Garanto a todos que não precisamos de pelo menos 40% do que queremos comprar. Só com isso, passamos a ver o que já temos com outros olhos. Existem muitas boas alternativas. Claro que queremos produtos de qualidade. E existem produtos de qualidade por preço justo.

    Basta procurar um pouco, sair do que é mais fácil, do que está sendo empurrado goela abaixo.

    Abs!

    T§



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