Uma semana de grandes e boas notícias, esta. A mais importante: a libertação de vários reféns das FARC pelo exército colombiano. Entre os resgatados estava a senadora Ingrid Bettancourt. Ver a imagem de Ingrid, viva e sorridente ontem foi de um alívio que há muito eu não sentia. De hoje em diante, para mim, a palavra liberdade será emoldurada pelo sorriso doce e franco de Ingrid.
De qualquer modo, é lógico que muita gente boa aí está de cabelo em pé com a derrocada irreversível de uma das últimas forças “revolucionárias” da América. Que estejam. Eu já li o bastante sobre a fundamentação filosófica e política dessas forças e posso até compreender suas motivações, sob a perspectiva de suas crenças. Agora, no absoluto, seqüestro e prisão de pessoas livres em condições degradantes por tantos anos – o rapto de Ingrid tem a mesma idade de minha filha mais velha, 6 anos – é um crime abominável, que não encontra justificativa em nada, nada, absolutamente nada que seja civilizado.
- Falando em ditaduras, a era das trevas se encerrou esta semana no Clube de Regatas Vasco da Gama. depois de uma década de obscurantismo, desmandos e coisas assim, o maior ídolo do clube – que apesar disso, não tem estátua em São Januário – Roberto Dinamite, assumiu a presidência do clube da colina. Chega de ter vergonha, chega de torcer com sorriso amarelo, chega de entretantos, contudos e todavias. O Vasco, o time que escreve história com H maiúsculo nesse país, volta a ser motivo de orgulho, muito orgulho. Parabéns a todos nós, vascaínos, como o Bruno, o Persega e o Idelber.
- Na Europa, a Espanha, merecidamente, comemorou a conquista da Eurocopa, depois de 44 anos. A f’úria está de volta, liderando o ranking da FIFA e sacudindo o futebol. O único erro deles foi ter dito, na festa, que jogaram como brasileiros na final. Mal sabem a distância que eles estão da seleçãozinha do Dunga.
- Falando em seleçãozinha, um de seus maiores ídolos, depois de andanças com travecos e garotas de programa, foi flagrado de cuecas num iate na companhia inconveniente de uma bela barriga e um cigarro. Seu xará gaúcho também desandou pelas noites calientes de Barcelona, assim também como o velho imperador das baladas. O ídolo-menino do Real Madrid vai pelo mesmo caminho. E em Milão, o jovem garoto-de-ouro de Jesus se dá ao luxo de esnobar a seleção que lhe colocou no topo do mundo. Caráter até dizer chega…
- Não adiantou eu torcer como se tricolor eu fora, mesmo sem ter qualquer simpatia pelo Fluminense Futebol Clube. Tampouco adiantou a festa belíssima que fez a torcida pó-de-arroz na noite de ontem. Oitenta e seis mil torcedores viram seu time, indolente e arrogante, jogar nas mãos do veterano goleiro Cevallos da LDU, o título da Taça Libertadores. Jogando como se pudesse resolver a fatura a hora em que quisesse, desperdiçando tempo e gols, o Fluminense do atarantado Renato Gaúcho, do preguiçoso Fernando Henrique, do inoperante Dodô e do horroroso Washington acabou derrotado pelo cansaço, pelos nervos e pelos erros da própria estratégia. Esforçou-se, nas figuras individuais de Thiago Neves, Arouca, Luiz Alberto e Thiago Silva. Mas pecou por dar à LDU – merecida campeã, como joga aquele tal de Guerrón… – o que não poderia: tempo. O relógio era o maior inimigo do Fluminense e em nenhum momento o time se deu conta disso. Pelo contrário: Renato Gaúcho, com sua pose e suas bravatas, não conseguiu dar qualquer padrão de jogo à sua defesa e pior, substituiu pessimamente. Ao final do jogo, precisando de mais um gol para nocautear a Liga, colocou dois defensores – Maurício e Roger – para segurar um resultado que era – apesar de inexplicavelmente não lhe parecer – adverso. Era óbvio que a Liga entraria como franco atiradora nos pênalties, deixando toda a rabuda para o time da casa, que, como sói, não segurou a pressão. Lamento pela torcida – e pelos meus amigos tricolores, como o Marcio Rolla, a Maira e a Sister, sinceramente. Não pelo time.
- É claro que tem quem abra o verbo contra a frufruzada, dizendo tudo aquilo que minha educação britânica não me permite. Mas eu confesso, reiterando a antipatia pelo tricolor, que não concordo com a teoria do Gravataí. Há uma diferença grande entre ser e estar. O Fluminense não é um time de terceira. Esteve lá e voltou irregularmente da segundona – o Flu venceu o brasileiro da terceirona com Parreira de técnico – por conta das armações dos cartolas, entre eles o nefando ex-deputado vascaíno cujo nome não deve ser pronunciado. Mas um time onde jogaram ídolos como Ademir Menezes, Castilho, Didi, Telê Santana, Gerson, Rivelino e Paulo César Caju não pode ser um time de terceira. Não é, nem nunca foi. Esteve um time de terceira sim. Mas nunca foi um clube de terceira. O Fluminense é grande. Mas, como diz o próprio Gravataí nos comments - e claro, o post dele é pura zoação – “Futebol não tem nada a ver com inteligência. Quem cuida disso é um departamento irracional do cérebro. Ou melhor, é um departamento do fígado“. É isso mesmo.
- Agora, que juizinho horroroso aquele argentino. Só não dá para dizer que ele prejudicou o Fluminense. Deixou de marcar um pênalty contra a LDU mas anulou um gol legal dos equatorianos. Una buesta.
- Pelo menos uma coisa boa: chega desses Pedros Biais fazendo poesia, desses Gravatinhas e Sobrenaturais de Oliveira de Nélson Rodrigues. Coisinha chata. De Nélson eu prefiro as bonitinhas, ordinárias e quetais.
- No final, a derrota do Fluminense acaba adiando a inauguração – para breve - do meu blog sobre futebol. Falta pouca coisa, subornar uns fiscais, molhar a mão de uns jornalistas, comprar um alvará. Daqui a pouco o boteco estará no ar.






Era um bom assunto pra começo de blog.
Bjs!
“uma década de obscurantismo”?! Esse fdp deu as caras em São Janu em 1982. Quase 26 anos de moita…
Um blog seu sobre futebol deve ser imperdível !!!!! Que venha !!!!
abs