- Fazia muitos anos que eu não passava o meu aniversário em um lugar onde eu quisesse muito estar. Pelo menos não me recordo de nenhum outro – desde aquele em que, há seis anos, eu e a minha Lontra querida nos enfurnamos na geladíssima Pousada dos Pirineus de Araras - em que eu estivesse tão feliz. E onde eu estava ontem? prosaicamente em casa.
- Nada de festa, nada de saída, nada de almoço ou de jantar com quem quer que fosse. Apenas um dia para não fazer nada de especial, um dia de ócio, um dia da mais pura preguiça, um dia sem culpas, um dia sem horários, um dia sem obrigações e mesmo um dia sem presentes. Ninguém ao meu lado estava tenso para saber se eu estava gostando. Estava na minha cara que sim.
- De frenético ontem, só meu celular piando um bocado de recados de pessoas queridas.
- E por falar nisso, que sensação boa a de não querer nada de presente de verdade. Sim, carrego alguns sonhos de consumo diuturnamente comigo… um carro novo, uma Fender Telecaster, uma câmera nova… mas como ninguém pode me dar isso no momento, ninguém pode me dar nada. E então, que bom! Que bom não querer nada assim material, não precisar de nada que não seja o do dia a dia, nenhum luxinho, nenhum supérfluo, nenhuma desnecessidade cara. O que vem é apenas – e que grande “apenas” é esse - um carinho.
- Li no jornal que um brasileiro inventou, em Londres, a doutrina do “nadismo”, onde as pessoas se juntam em áreas públicas para fazer nada. Ora, que idiotice completa, por Tutatis. Quem resolve fazer nada com hora marcada, por obrigação ou compulsão ou necessidade? fazer nada é, antes de mais nada, a desobrigação, a escolha do corpo, a desvinculação da mente, a liberdade do espírito. Omessa! Nadismo que nada.
- Afinal, fazer nada, para mim, é fazer coisas boas. Dormir, comer, ler, bundear na internet, escrever minhas palhaçadas, desenhar meus botões, brincar com meus filhos, ver televisão, passear sem destino. Quando eu vi, já era de noite, e ainda deu tempo para desistir do único plano que eu fizera – ir a uma pizzaria – sem a menor vergonha.
- Fui até passear num shopping, tão relaxado que estava. E – pasmem! – havia uma Ferrari 430 em exposição por lá. Entrei no carro com o Léo para a Thania tirar uma foto que jamais será exibida porque o celular dela é daqueles bloqueados, mas e daí? eu entrei numa Ferrari. Como diria o Luigi, Ferrari de verdade! E sabem? que porra de carro duro! Os bancos devem ser de legítimo couro de rinoceronte. Voltar para casa nela seria um suplício. Ia chegar em casa todo moído e sem ter conseguido passar sequer a terceira marcha. Viva meu Uno, que afinal, assim como a Ferrari, também é fabricado pela FIAT.
- Mas tenho a impressão que alguém lá em cima me encomendou um violão novo. Vamos ver amanhã. Se rolar, é coisa de anjo da guarda mesmo.
- Falando em anjos, não é que abriram um Clipper a dois quarteirões daqui do penhasco? Para o Jardim Guanabara ficar igual ao Leblon, só falta uma Bibi Sucos. (valeu, Sis.)
- Meu vascão perdeu de cinco do lanterna do campeonato. E sabem? Estou pouco me lixando.
- Amanhã começo uma dieta, assim espero. Quero chegar aos quarenta mais sarado que Mick Jagger aos oitenta. Faltam dois anos.
- Assisti três filmes duca essa semana: Juno, Into The Wild e Batman, The Dark knight. Ainda falarei deles.
- Como diria meu irmão, eu tenho a impressão que esse ano vai ser bom.






o melhor do JG o Leblon não tem: vcs.
bjs e feliz aniversário, brou. de novo.
uma correção, seu cachorro. eu te dei um presente sim. a foto no flickr.
Parabéns e grande abraço.
Feliz aniversário, Marcos!
Eita, não sabia que era seu aniversário! Parabéns, meu caro!
E como assim você gostou da Pousada dos Pirineus?? Porra, há seis ou cinco anos fui pra lá também, e foi um dos melhores fins-de-semana da minha vida. Ô lugarzinho fantástico aquele.