Preconceito contra homossexuais é um negócio que me dá um nó na garganta. Ler posts como este aqui do Idelber (*) e este outro da Cora - que são pessoas diametralmente opostas em termos políticos – é de dar aperto no coração.
O Idelber sugere que as pessoas, antes de achar que entendem tudo sobre o caso, procurem conhecer a vida e os problemas dos conhecidos que são homossexuais. Nem preciso ir longe. Tenho gays e lésbicas na minha família. Sei o que passam, me orgulho deles quando tem coragem e os entendo quando se mostram covardes, incapazes de superar as adversidades. Não os culpo, não os julgo.
Ao escolher esse lado da batalha, ainda mais sendo católico, eu sabia que também passaria pelos crivos dos que aí estão, julgando e condenando com a facilidade de quem toma um cafezinho. Ocorre sempre. Uma das frases que mais escuto quando resolvo defender os direitos (em amplo espectro, ok?) dos homossexuais é a seguinte: – Mas você gostaria que seu filho ou sua filha fosse um homossexual? Você se sentiria bem?
A resposta é óbvia. Com franqueza? não. Não gostaria que fossem nem me sentiria bem. Mas sabem por que? porque eu sei como essas pessoas sofrem. Ver meus filhos beijando ou casando com iguais não me causaria nenhum problema. Meu problema seria dormir de noite, preocupado com eles, sabendo que eles vivem num mundo que não os aceita. Porque não entra na minha cabeça como é que um PAI e uma MÃE (vejam, não estou falando de direitistas ou religiosos ou qual quer que seja o caso, mas da relação familiar, parental, sangüínea…) podem afastar de um abraço, de um carinho e do conforto de sua presença um filho por que ele resolveu ser gay assumiu sua homossexualidade. Quanto mais eu penso nisso, mais eu me convenço de que, se acontecesse com meus filhos, eu seria o maior e mais determinado escudo na defesa deles. E não aceitaria jamais perder um minuto da presença deles na minha vida e nos meus braços por qualquer motivo.
Mas tem pais e mães que matam seus filhos por isso. Por vezes só internamente, mas em muitos lugares, com pau, pedra e tiro.
Por essas e outras, ainda que os rótulos de cristão, religioso, supersticioso ou o escambau me doam nas costas nessa hora, eu não tiro uma vírgula de razão dos que defendem, com unhas e dentes e mesmo exagero, os direitos de quem nessa vida, só tem o desejo de querer amar em paz.
PS: Na última terça-feira, o caderno de adolescentes do Jornal O Globo, o MEGAZINE, teve como matéria de capa uma reportagem sobre o Leskut, comunidade social da Internet que se define como “o ponto de encontro para meninas que gostam de meninas”. Estou louco para ver as cartas dos leitores da semana que vem. Deve vir cheia de marimbondos de fogo. Já na edição de hoje, o colunista Joaquim Ferreira dos Santos nos dá conta de que uma proposta do programa Rio sem Homofobia foi prontamente aceita pela Secretária de Estado de Educação Tereza Porto: a partir do dia 28 deste mês, todos os travestis e transgêneros matriculados em escolas da rede pública de ensino deverão ser chamados pelos seus nomes sociais, ou seja: pelos nomes que representam sua identidade feminina. Isto vale também para todos os documentos escolares, como lista de presença, carteiras e agenda. Estes alunos também poderão usar uniformes femininos se assim quiserem. É uma atitude aparentemente pequena do estado que certamente trará um grande impacto em benefício aos envolvidos. Que diferença da política pública (sic) para homossexuais do governo anterior, o do homofobiquérrimo casal diminutivo.
(*) Professor, vai com calma quando for me desconstruir hoje a noite na Cobal. Eu nem beber posso…:-)






I can assure you that the Gay and Lesbian Humanist Association does not fail to speak out against homophobia from religions other than Islam. Noel Gay
Belo post. Aborda com muita sensibilidade a questão da homossexualidade, sobretudo no que concerne as relações dos pais com seus filhos.
Eu li essa nota sobre a proposta da Secretaria de Educação e uma coisa me preocupou: pelo texto, parece que será “obrigatório” usar os nomes sociais. Será que isso não deveria ser opção do dono do nome, no caso o travesti/transgênero? Me veio logo à cabeça o caso da Rogéria, que faz questão de manter seu “alter-ego masculino”, Astolfo.