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Pirão Sem Dono

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Sete anos!

09/04/2009 por VP

5297_seven7_of_diamonds_playing_cardFoi no distante dia 4 de setembro de 2002 que eu, influenciado por um post do extinto blog Puragoiaba, dei início à interminável saga sem fim do Pirão sem Dono.  Nesse tempo muita coisa mudou e sobre tudo que mudou eu já escrevi incessantemente em cada data de aniversário deste blog.  Uma coisa que não mudou, contudo, é o fato de que o Pirão nasceu no mesmo dia – apenas três horas antes – de um famoso e importante blog, o Marmota – Mais dos Mesmos.  Eu e seu criador, André Rosa, sempre nos lembramos que nossos blogs fazem aniversário juntos, são praticamente irmãos.  Deste modo, resolvemos comemorar nossos sete anos de alegrias e sofrimentos procedendo um post altamente umbigo. Sim, nós merecemos e ainda que a meritocracia informal da rede nem sempre tenha respeito aos umbiguistas (hahahaha!), lasque-se, porque nós somos praticamente uns matusaléns da blogosfera. As cãs hirsutas de nossos blogues ainda tem algum valor.  Assim, desse modo, o Google Talk juntou, na madrugada do dia 26/08, um gremista e um colorado em um descontraído bate papo, onde se falou de internet, blogs e de amenidades alhêas. Foi um presente para nós dois e para nossos blogs.

A entrevista começa aqui no blog do Marmota e a continuação você lê aqui no Pirão.

andre e vp

VP: My turn um cadim. Uma das coisas mais surreais que rolaram no Pirão nesses sete anos, foi o caso em que eu conheci a tecladista Delia Fischer (que está atualmente em cartaz com o espetáculo Beatles num Céu com Diamantes) através do blog e lhe pedi, em um show dela, que autografasse dois CDs piratas de músicas dela para eu distribuir no Pirão. Qual a história mais interessante destes sete anos do MMM?

André: Putz, foram várias! Cada pessoa que se aproximou do blog e que rendeu ao menos uma noite no boteco (ou uma manhã na Galeria dos Pão, né?) rende uma bela história! Talvez a mais maluca, cheia de meandros, encontros, despedidas, altos, baixos e emoções relacionadas ao blog ainda não tenha terminado, já que me tornei noivo dela… Mas enfim, vou resumir uma, que ainda não contei em detalhes (por pura preguiça) e eu adoro. Certa vez, uma professora pediu autorização para usar trechos do blog em um livro didático infantil. Autorizei com alegria, sem imaginar que o tal “livro” era, na verdade, um módulo da apostila Positivo, usada no Brasil inteiro! Graças a isso, recebi e-mails de alunos da quinta série por um bimestre inteiro! Cheguei inclusive a visitar uma escola dessas, onde fui sabatinado pela garotada! Foi uma experiência sensacional!

VP: Eu sempre lhe tive na conta de um dos mais prolíficos produtores de blog da rede. Mas o MMM anda meio sumido, como andava aí um Belchior qualquer. Como seu espírito define esse tempo atual? fase, crise, mudança de rumo, não faço idéia ou NRA?

André: Não só o MMM, mas também outras propostas bloguísticas que inaugurei com a Lu recentemente – o blog de novelas e o blog da Copa. Mas subitamente fui envolvido em minha carreira de professor, que acabou sendo o direcionamento que fui levando… E nesse contexto, acabo preparando uma porção de coisas que não refletem nessas atividades que me dão prazer! E é uma pena, pois devo ter de cem arquivos no meu Google Docs, cada um com um esboço de post que um dia comecei… Agora, posso dizer com certeza que os blogs não morreram. Apenas refletem minha “vida lá fora”… :P

VP: Era o que eu ia perguntar. É fato que o MMM sempre teve a tecnologia da informação na rede como um dos temas mais caros. Se afastar disso, ter de assumir que a “vida lá fora” por vezes tem “peso maior” que a “vida virtual” não lhe angustia?

André: Na verdade, não vejo como angústia, mas praticamente uma opção para que as coisas que estou me dedicando fluam mais. Talvez a opção errada, mas enfim. Não quero me livrar dos blogs, pelo contrário. Como entrei agora no mestrado, queria inclusive abrir um novo espaço, pra dedicar discussões ao tema que pretendo pesquisar, Mas ao mesmo tempo, eu me conheço bem… Se não dou conta sequer do meu blog preferido, que dirá mais um! :O

VP: Uma das coisas costumeiras entre os blogueiros é que a maioria – com raras exceções – acaba lendo muitos blogs tb. Tem algum blog que você já lia desde o início do MMM e que você considera indispensável até hoje? e qual blog surgiu e se extinguiu nesse período e deixou saudades?

André: Eu tento ler uma porção. Digo que tento pois meus itens não lidos do Google Reader estão sempre em “1000+”. Como se fosse bonito. Mas enfim… Ainda nos primórdios, lembro de ter encontrado, num mesmo domínio, dois blogs que eu adoraria ser quando crescer e que, só por coincidência, foram gerados na mesma cidade da minha família. Certamente estão entre os primeiros que linquei: o do casal Ricardo Araújo e Raquel Recuero. Até hoje estão entre os meus favoritos. Puxa, e entre os que se extinguiram… Tinha o Pulso Único, do Eduardo Stuart, repleto e joguinhos viciantes. O Final do Fuzo (que reencarnou no Maldita Cultura Pop) era genial. Daquela época que começamos, gostava ainda do Mundo Foderoso, do Daniel Zíngari (que assinava como Vincent Vega); do Repórter Mosca, do Fausto Rêgo; do Jornaleco!, do Carlos Vidigal… Às vezes fico me perguntando onde foram parar estes e outros personagens da nossa “Era Blogger”, como a Thakira e seus templates, o Jaks (conterrâneo da Cambada de Recife), entre outros tantos…

VP: Falando um pouco do ambiente virtual e aproveitando que você é um jornalista/blogueiro: Eu vejo essa rusga eterna entre jornalistas e blogueiros como algo assim posto: jornalistas dizem que blogueiros não tem credibilidade, blogueiros acusam jornalistas de não serem independentes. É assim mesmo? Algum dia esse cenário mudará e blogueiros alcançarão a credibilidade de jornalistas ou jornalistas, a independência de blogueiros?

André: Não, não é assim mesmo. Esses rótulos não fazem sentido por uma razão bem simples: todos esses rótulos – “de direita”, “de esquerda” de milícia”, “de aluguel”, valem pra qualquer “categoria”. Com o perdão do chavão, esse esforço em definir preto ou branco ignora os milhões
de tons de cinza possíveis, e essa complexidade formada por múltiplas vozes exige uma lógica diferente, onde qualquer um pode enxergar uma nova oportunidade. E não são só blogueiros ou jornalistas: as próprias fontes primárias, como algumas celebridades que se arriscam no Twitter
(para o bem ou para o mal), podem entender essa dinâmica e alcançar esta credibilidade. Enfim, ainda vamos nos surpreender um bocado com esses debates fora de foco – este, sobre o “fim da blogosfera” é outro. Amanhã vai ser o “fim do Twitter”, assim que o google Wave ou qualquer ferramenta batuta decolar…

VP: Não sei quanto a você, mas eu trabalho diretamente com internet há cerca de 14 anos. Em metade desse tempo, eu tive um blog. O que você acha que, nesses sete anos, foram as apostas mais bem sucedidas e as mais fracassadas da rede? Uma de cada. E não vale citar a Madoninha Capixaba como fracasso.

André: Uau! Bom, meu tempo envolvido com internet é um pouquinho menor – onze anos. Mas como conversamos uma vez na Galeria dos Pão, é muito bacana termos atravessado essa fase com ares de pioneirismo, de certa forma isso ajuda a enxergar as boas e más oportunidades, não? Entre as fracassadas nestes sete anos… Vou arriscar uma: cobrar por um serviço que pode ser obtido de graça. E dá pra pinçar inúmeros modelos. Mas como estamos falando em blogs, teve a história clássica da cobrança da Globo.com pelo uso do Blogger Brasil. Naquela época, fiquei com a impressão de que, realmente, os usuários daquele serviço fariam questão de pagar pra permanecer com o endereço – como se todos fossem uns nostálgicos presos ao passado, como eu! Hahaha!

VP: Pobre Blogger Brasil…

André: Agora, entre as que deram certo… Caceta, é difícil reconhecer algo que realmente dê certo, né? É tão mais fácil meter o pau… Ah, mas como você citou “cases que deram certo na rede”, vou dar uma resposta fácil: Google.

VP: Sim…

André: A história do Google é fascinante. Dois caras inteligentes bolaram um algoritmo e, a partir dele, criaram uma empresa sem os vícios corporativos que conhecemos.

VP: Eu ainda citaria RSS/Feeds e talvez, as redes sociais. O próprio Twitter é um fenômeno. Mas o Google é realmente coisa de outro planeta.  Talvez o Google seja outro planeta…

André: Verdade. O Twitter é uma dessas coisas que, de repente, pegaram por aqui. Mas ainda acho que ele pode ser substituído por alguma coisa que faça com que a gente troque pequenas mensagens curtas de um jeito mais fácil. Um jeito “Google”, digamos.

VP: Possivelmente. É questão de tempo, creio. Falando nisso, momento jabá… a volta do futebol de botão é outro fenômeno na rede, sabia? hahahahahahaha! Ontem mesmo, no caderno de informática do Globo, estavam anunciando um joguinho de botão virtual para o iPhone…:-)

André: Hahahahahahahahaha!!! Boa notícia pro Escudinhos, certamente um dos melhores blogs do ramo botonístico!

VP: Eu já devo ter uns três dólares de Adsense lá. Preciso verificar. Dá pra comprar uma mariola usada, em bom estado talvez. Bem, mas falando em iPhone, vossa insolência é um cara convergente ou divergente?

André: Depende do tema. Eu me considero “convergente”, na medida do possível. Mas ultimamente, ando mais “divergente”: não me sinto à vontade com relações virtuais, especialmente envolvendo marcas, produtos e afins.

VP: Ah, sim… você fala do já famoso caso dos bonés da Puma?

André: Sim, este e muitos outros. Fico com a impressão que algumas figuras ficaram impressionadas com o poder que, de repente, eles receberam com sua presença em rede. Algo como: faturar cem contos pra escrever sobre uma delas. Não vejo mesmo problemas em capitalizar esta lógica, mas nem todo mundo parece ter entendido que a dinâmica é diferente do que vemos na mídia tradicional, sabe?

VP: Olha, esse é um daqueles assuntos que eu tenho até medo de comentar, hehehe. Dia desses um grande publicitário conhecido meu, cara que eu respeito muitíssimo, me pediu uma opinião sobre publicidade na rede. Eu me perguntava: conto a ele ou não? hehe. Mas, como se diz… tenho que levar o leite das crianças pra casa. Literalmente…;-)

André: Hahahahahahahahaha! É, talvez seja a melhor resposta. Vez ou outra, temo pelo meu futuro profissional em função de algumas opiniões…

VP: Voltando um pouquinho. No caso, a convergência que eu quis dizer era de aparelhagem mesmo. Você é dos que gostam daquelas engenhocas ultra-super-plus que fazem tudo ou, como o tio velho aqui, acha que telefone é pra telefonar, uólquimém é pra ouvir música e máquina é pra tirar retrato e tudo junto não funciona nenhuma das coisas bem?

André: Aaaahhhh! Hahahahahahaha!!! Bom, desde que consegui instalar o gmail num celularzinho bem simplezinho que tive há um tempo, fiquei com vontade de testar um smartphone. E há um ano piloto um “cleverphone” – não é exatamente “smart”, mas faz algumas coisinhas batutas.

VP: Escrever em teclado de celular costuma me dar frêmitos de ódio. E olha que nos tempos difíceis, até relação eu discutia via torpedo…

André: Exatamente! O tecladinho me incomoda! Não vejo a hora de trocar meu atual telefone por um desses com teclado QWERTY! Agora, hoje, por exemplo: e-mail, twitter e navegações rápidas no celular são constantes.

VP: Convergente. Parabéns. Have lots of fun…:-)

André: Tem uma citação ótima do Douglas Adams, que é mais ou menos assim: até os nossos 20 anos, absorvemos toda a tecnologia existente numa boa; entre os 20 e 40 anos, ainda entendemos parte da evolução, mas não exatamente no mesmo ritmo; dos 40 anos em diante, só presta aquilo que é do meu tempo. :)

VP: Hahahahaha. Pronto. É isso. Ano que vem eu chego, não muito glorioso, aos 40.

André: Uia! Vai ter festona!

VP: Toda data fechada eu prometo que vou fazer uma festona. E desisto. Por um motivo óbvio: Eu odeio festas! Hahahaha!

André: Sério? Mas por que?

VP: Tirando o fato emocional (dava uma tese, essa merda…) de que quase a totalidade de minhas festas foi una grande buesta, mesmo olhando racionalmente para a coisa, eu sempre me pergunto: o que fazer numa festa? como me comportar numa festa? E nunca chego a uma conclusão razoável. Festa pra mim é como, por exemplo, se eu fosse a uma praia de nudismo. Ia ficar o tempo todo sem saber onde colocar as mãos.

André: Hahahaha! Ah, entendo você. Normalmente, não faço festa. Simplesmente aviso uma turma que vou celebrar meu aniversário num bar. Que, diga-se, é sempre o mesmo, e só eu frequento… Imagino que os donos marcam no calendário: “maio está chegando, vamos fazer o orçamento do ano que vem, pois nossas contas vão fechar”…

VP: hahahahahahaha

André: E é estranho mesmo “juntar panelas” distintas, não dá pra ficar sentado num mesmo lugar a noite toda…

VP: Falando sério de novo: O livro 1984, do George Orwell (que eu imagino que você já leu) é uma assustadora profecia sobre os dias de hoje. A história sendo reescrita dia a dia, a destruição das raízes culturais linguísticas como forma de dominação e o fantasma da eterna vigilância são aspectos facilmente identificáveis na internet hoje em dia. Qual a melhor definição da rede, então? uma poderosa e democrática via para a opinião e a manifestação livre dos indivíduos ou um sorvedouro de almas inocentes controlado pelo poder vigente? ou ambas as coisas ou nenhuma delas?

André: Uau, pergunta complexa! Bom, vou tentar não fazer um tratado aqui, por isso corro o risco de ser simplista ao tentar responder “ambas as coisas”: gosto muito da palavra “apropriação” para explicar alguns comportamentos em rede. Tomando como exemplo a Internet, que está
prestes a fazer 40 anos. Nasceu filhinha de militares, com quatro computadores interconectados. Cresceu nas faculdades, em arquitetura totalmente aberta, apropriada por acadêmicos que criaram a base de todos os movimentos em “código aberto”. Na adolescência, foi novamente
apropriada por corporações, que viram nessa rede de redes uma tremenda oportunidade de negócios (hoje mais madura, graças à bolha das ponto com em 2000). Enfim, chegamos ao ponto em que essa evolução tecnológica faz com que qualquer Zé Ruela pode se apropriar de ferramentas para se compartilhar informações. Alguns com mais influência que outros – mas veja, isso não tem a ver com a infra-estrutura, com linguagem de programação. Tem a ver com o pensamento humano, com os nossos objetivos. Tem gente que deseja unir pessoas para salvar o planeta, enquanto outros preferem garantir o funcionamento do sistema como está para cumprir metas de desempenho. É assim na rede e na vida. E só pra citar 1984, temos as nossas “novilinguas” para superar: o inglês, que nos aprisiona sim ao não saber lidar com conteúdos vindos de fora, e o “politiquês”, interessado em substituir aproppriar por controlar…

VP: Sim… bem, uma última perguntinha, pois já são duas da madruga, meu limite atual de insanidade pra quem acorda às 6:30. Como se sente um taurino legítimo – ou seja, amante do que é permanente e durável – diante de um mundo onde as coisas, as idéias e as rotinas são tão voláteis e tão inconstantes como, por exemplo, este nosso mundo virtual, a blogosfera, a internet como um todo? (pergunto porque minha lua é em touro. ou seja, meu problema são só as mulheres duráveis)…

André: Hahahahahahahahaha!!! Bom, talvez seja algo próprio desse negócio que chamamos de “cerumano”, mas a gente não consegue conviver muito tempo com coisas que nos assustam. Nesse sentido, eu realmente me assusto um pouco com essa volatilidade. Mas pra seguir em frente, eu me seguro firme naquilo que eu tenho certeza, sabe? Minha profissão, minhas escolhas de vida, as pessoas mais próximas… Assim, sempre que vejo algo como “nossa, olha só aquele/aquilo, como mudoou”… O complemento é sempre algo como “bom, mas no fundo, isso ˜não importa”.

VP: Sim, sim. É, uma base sólida é importante. Eu vivo angustiado com isso, mas de outro jeito. As rotinas e as pessoas mudarem nem me importa muito. O que me mata são coisas que quebram. Que escangalham.Carros, celulares, computadores. Pense num cabra desarvorado quando quebra uma coisa. No fundo, acho que vc está mais tranquilo que eu com seu touro.

André: Imagino… Coisas da sociedade do consumo. Compremos outro, ue.

VP: Fazer o quê? Meu véio, prazer imenso.

André: Me diverti bastante! Valeu. Abração. Boa noite, bom descanso!

VP: Desu queira. (Desu é ótimo.)
Aemm.

André: Desu é api, aemm. (igerja uvinresal dos dislxiecos)

VP: hahahahahahahahahaa

André: :)

VP: My turn um cadim. Uma das coisas mais surreais que rolaram no pirão nesses sete anos, foi o caso em que eu conheci a tecladista Delia Fischer (que está atualmente em cartaz com o espetáculo Beatles num Céu com Diamantes) através do blog e lhe pedi, em um show dela, que autografasse dois CDs piratas de músicas dela para eu distribuir no pirão. Qual a história mais interessante destes sete anos do MMM?

André: Putz, foram várias! Cada pessoa que se aproximou do blog e que rendeu ao menos uma noite no boteco (ou uma manhã na Galeria dos Pão, né?) rende uma bela história! Talvez a mais maluca, cheia de meandros, encontros, despedidas, altos, baixos e emoções relacionadas ao blog ainda não tenha terminado, já que me tornei noivo dela… Mas enfim, vou resumir uma, que ainda não contei em detalhes (por pura preguiça) e eu adoro. Certa vez, uma professora pediu autorização para usar trechos do blog em um livro didático infantil. Autorizei com alegria, sem imaginar que o tal “livro” era, na verdade, um módulo da apostila Positivo, usada no Brasil inteiro! Graças a isso, recebi e-mails de alunos da quinta série por um bimestre inteiro! Cheguei inclusive a visitar uma escola dessas, onde fui sabatinado pela garotada! Foi uma experiência sensacional!

VP: Eu sempre lhe tive na conta de um dos mais prolíficos produtores de blog da rede. Mas o MMM anda meio sumido,

como andava aí um Belchior qualquer. Como seu espírito define esse tempo atual? fase, crise, mudança de rumo, não faço idéia ou NRA?

André: Não só o MMM, mas também outras propostas bloguísticas que inaugurei com a Lu recentemente – o blog de novelas e o blog da Copa. Mas

subitamente fui envolvido em minha carreira de professor, que acabou sendo o direcionamento que fui levando… E nesse contexto, acabo

preparando uma porção de coisas que não refletem nessas atividades que me dão prazer! E é uma pena, pois devo ter de cem arquivos no meu

Google Docs, cada um com um esboço de post que um dia comecei… Agora, posso dizer com certeza que os blogs não morreram. Apenas refletem

minha “vida lá fora”… :P

VP: Era o que eu ia perguntar. É fato que o MMM sempre teve a tecnologia da informação na rede como um dos temas mais caros. Se afastar

disso, ter de assumir que a “vida lá fora” por vezes tem “peso maior” que a “vida virtual” não lhe angustia?

André: Na verdade, não vejo como angústia, mas praticamente uma opção para que as coisas que estou me dedicando fluam mais. Talvez a opção

errada, mas enfim. Não quero me livrar dos blogs, pelo contrário. Como entrei agora no mestrado, queria inclusive abrir um novo espaço, pra

dedicar discussões ao tema que pretendo pesquisar, Mas ao mesmo tempo, eu me conheço bem… Se não dou conta sequer do meu blog preferido,

que dirá mais um! :O

VP: Uma das coisas costumeiras entre os blogueiros é que a maioria – com raras exceções – acaba lendo muitos blogs tb. Tem algum blog que você já lia desde o início do MMM e que você considera indispensável até hoje? e qual blog surgiu e se extinguiu nesse período e deixou saudades?

André: Eu tento ler uma porção. Digo que tento pois meus itens não lidos do Google Reader estão sempre em “1000+”. Como se fosse bonito. Mas
enfim. Ainda nos primórdios, lembro de ter encontrado, num mesmo domínio, dois blogs que eu adoraria ser quando crescer e que, só por coincidência, foram gerados na mesma cidade da minha família. Certamente estão entre os primeiros que linquei: o do casal <a href=”http://pontomidia.com.br/ricardo” target=”_blank”>Ricardo Araújo</a> e <a href=”http://pontomidia.com.br/raquel” target=”_blank”>Raquel Recuero</a>. Até hoje estão entre os meus favoritos. Puxa, e entre os que se extinguiram… Tinha o Pulso Único, do Eduardo Stuart, repleto e joguinhos viciantes. O Final do Fuzo (que reencarnou no <a href=”http://dialetica.org/malditaculturapop”>Maldita Cultura Pop</a> era genial. Daquela época que começamos, gostava ainda do <a href=”http://mundofoderoso.blogger.com.br”>Mundo Foderoso</a>, do Daniel Zíngari (que assinava como Vincent Vega); do <a href=”http://mosca.blogspot.com”>Repórter Mosca</a>, do Fausto Rêgo; do <a href=”http://jornaleco2.blogspot.com”>Jornaleco!</a>, do Carlos Vidigal… Às vezes fico me perguntando onde foram parar estes e outros personagens da nossa “Era Blogger”, como a Thakira e seus templates, o Jaks (conterrâneo da <a href=”http://cambada.net”>Cambada</a> de Recife), entre outros tantos…

VP: Falando um pouco do ambiente virtual e aproveitando que você é um jornalista/blogueiro: Eu vejo essa rusga eterna entre jornalistas e blogueiros como algo assim posto: jornalistas dizem que blogueiros não tem credibilidade, blogueiros acusam jornalistas de não serem independentes. É assim mesmo? Algum dia esse cenário mudará e blogueiros alcançarão a credibilidade de jornalistas ou jornalistas, a independência de blogueiros?

André: Não, não é assim mesmo. Esses rótulos não fazem sentido por uma razão bem simples: todos esses rótulos – “de direita”, “de esquerda” de milícia”, “de aluguel”, valem pra qualquer “categoria”. Com o perdão do chavão, esse esforço em definir preto ou branco ignora os milhões
de tons de cinza possíveis, e essa complexidade formada por múltiplas vozes exige uma lógica diferente, onde qualquer um pode enxergar uma
nova oportunidade. E não são só blogueiros ou jornalistas: as próprias fontes primárias, como algumas celebridades que se arriscam no Twitter
(para o bem ou para o mal), podem entender essa dinâmica e alcançar esta credibilidade. Enfim, ainda vamos nos surpreender um bocado com
esses debates fora de foco – este, sobre o “fim da blogosfera” é outro. Amanhã vai ser o “fim do Twitter”, assim que o google Wave ou qualquer ferramenta batuta decolar…

VP: Não sei quanto a você, mas eu trabalho diretamente com internet há cerca de 14 anos. Em metade desse tempo, eu tive um blog. O que você

acha que, nesses sete anos, foram as apostas mais bem sucedidas e as mais fracassadas da rede? Uma de cada. E não vale citar a Madoninha

Capixaba como fracasso.

André: Uau! Bom, meu tempo envolvido com internet é um pouquinho menor – onze anos. Mas como conversamos uma vez na Galeria dos Pão, é muito

bacana termos atravessado essa fase com ares de pioneirismo, de certa forma isso ajuda a enxergar as boas e más oportunidades, não? Entre as

fracassadas nestes sete anos… Vou arriscar uma: cobrar por um serviço que pode ser obtido de graça. E dá pra pinçar inúmeros modelos. Mas

como estamos falando em blogs, teve a história clássica da cobrança da Globo.com pelo uso do Blogger Brasil. Naquela época, fiquei com a

impressão de que, realmente, os usuários daquele serviço fariam questão de pagar pra permanecer com o endereço – como se todos fossem uns

nostálgicos presos ao passado, como eu! Hahaha!

VP: Pobre Blogger Brasil…

André: Agora, entre as que deram certo… Caceta, é difícil reconhecer algo que realmente dê certo, né? É tão mais fácil meter o pau… Ah,

mas como você citou “cases que deram certo na rede”, vou dar uma resposta fácil: Google.

VP: Sim…

André: A história do Google é fascinante. Dois caras inteligentes bolaram um algoritmo e, a partir dele, criaram uma empresa sem os vícios

corporativos que conhecemos.

VP: Eu ainda citaria RSS/Feeds e talvez, as redes sociais. O próprio twitter é um fenômeno. Mas o Google é realmente coisa de outro planeta.

Talvez o Google seja outro planeta…

André: Verdade. O Twitter é uma dessas coisas que, de repente, pegaram por aqui. Mas ainda acho que ele pode ser substituído por alguma coisa

que faça com que a gente troque pequenas mensagens curtas de um jeito mais fácil. Um jeito “Google”, digamos.

VP: Possivelmente. É questão de tempo, creio. Falando nisso, momento jabá… a volta do futebol de botão é outro fenômeno na rede, sabia?

hahahahahahaha! Ontem mesmo, no caderno de informática do Globo, estavam anunciando um joguinho de botão virtual para o iPhone…:-)

André: Hahahahahahahahaha!!! Boa notícia pro Escudinhos, certamente um dos melhores blogs do ramo botonístico!

VP: Eu já devo ter uns três dólares de adsense lá. Preciso verificar. Dá pra comprar uma mariola usada, em bom estado talvez. Bem, mas

falando em iPone, vossa insolência é um cara convergente ou divergente?

André: Depende do tema. Eu me considero “convergente”, na medida do possível. Mas ultimamente, ando mais “divergente”: não me sinto à vontade

com relações virtuais, especialmente envolvendo marcas, produtos e afins.

VP: Ah, sim… vc fala do já famoso caso dos bonés da Puma?

André: Sim, este e muitos outros. Fico com a impressão que algumas figuras ficaram impressionadas com o poder que, de repente, eles receberam

com sua presença em rede. Algo como: faturar cem contos pra escrever sobre uma delas. Não vejo mesmo problemas em capitalizar esta lógica,

mas nem todo mundo parece ter entendido que a dinâmica é diferente do que vemos na mídia tradicional, sabe?

VP: Olha, esse é um daqueles assuntos que eu tenho até medo de comentar, hehehe. Dia desses um grande publicitário conhecido meu, cara que eu

respeito muitíssimo, me pediu uma opinião sobre publicidade na rede. Eu me perguntava: conto a ele ou não? hehe. Mas, como se diz… tenho

que levar o leite das crianças pra casa. Literalmente…;-)

André: Hahahahahahahahaha! É, talvez seja a melhor resposta. Vez ou outra, temo pelo meu futuro profissional em função de algumas opiniões…

VP: Voltando um pouquinho. No caso, a convergência que eu quis dizer era de aparelhagem mesmo. Você é dos que gostam daquelas engenhocas

ultra-super-plus que fazem tudo ou, como o tio velho aqui, acha que telefone é pra telefonar, uólquimém é pra ouvir música e câmera é pra

fotografar e tudo junto não funciona nenhuma das coisas bem?

André: Aaaahhhh! Hahahahahahaha!!! Bom, desde que consegui instalar o gmail num celularzinho bem simplezinho que tive há um tempo, fiquei com

vontade de testar um smartphone. E há um ano piloto um “cleverephone” – não é exatamente “smart”, mas faz algumas coisinhas batutas.

VP: Escrever em teclado de celular costuma me dar frêmitos de ódio. E olha que nos tempos difíceis, até relação eu discutia via torpedo…

André: Exatamente! O tecladinho me incomoda! Não vejo a hora de trocar meu atual telefone por um desses com teclado QWERTY! Agora, hoje, por

exemplo: e-mail, twitter e navegações rápidas no celular são constantes.

VP: Convergente. Parabéns. Have lots of fun…:-)

André: Tem uma citação ótima do Douglas Adams, que é mais ou menos assim: até os nossos 20 anos, absorvemos toda a tecnologia existente numa

boa; entre os 20 e 40 anos, ainda entendemos parte da evolução, mas não exatamente no mesmo ritmo; dos 40 anos em diante, só presta aquilo

que é do meu tempo. :)

VP: Hahahahaha. Pronto. É isso. Ano que vem eu chego, não muito glorioso, aos 40.

André: Uia! Vai ter festona!

VP: Toda data fechada eu prometo que vou fazer uma festona. E desisto. Por um motivo óbvio: Eu odeio festas! Hahahaha!

André: Sério? Mas por que?

VP: Tirando o fato emocional (dava uma tese, essa merda…) de que quase a totalidade de minhas festas foi una grande buesta, mesmo olhando

racionalmente para a coisa, eu sempre me pergunto: o que fazer numa festa? como me comportar numa festa? E nunca chego a uma conclusão

razoável. Festa pra mim é como, por exemplo, se eu fosse a uma praia de nudismo. Ia ficar o tempo todo sem saber onde colocar as mãos.

André: Hahahaha! Ah, entendo você. Normalmente, não faço festa. Simplesmente aviso uma turma que vou celebrar meu aniversário num bar. Que,

diga-se, é sempre o mesmo, e só eu frequento… Imagino que os donos marcam no calendário: “maio está chegando, vamos fazer o orçamento do

ano que vem, pois nossas contas vão fechar”…

VP: hahahahahahaha

André: E é estranho mesmo “juntar panelas” distintas, não dá pra ficar sentado num mesmo lugar a noite toda…

VP: Falando sério de novo: O livro 1984, do George Orwell (que eu imagino que você já leu) é uma assustadora profecia sobre os dias de hoje. A história sendo reescrita dia a dia, a destruição das raízes culturais linguísticas como forma de dominação e o fantasma da eterna vigilância são aspectos facilmente identificáveis na internet hoje em dia. Qual a melhor definição da rede, então? uma poderosa e democrática via para a opinião e a manifestação livre dos indivíduos ou um sorvedouro de almas inocentes controlado pelo poder vigente? ou ambas as coisas ou nenhuma delas?

André: Uau, pergunta complexa! Bom, vou tentar não fazer um tratado aqui, por isso corro o risco de ser simplista ao tentar responder “ambas as coisas”: gosto muito da palavra “apropriação” para explicar alguns comportamentos em rede. Tomando como exemplo a Internet, que está
prestes a fazer 40 anos. Nasceu filhinha de militares, com quatro computadores interconectados. Cresceu nas faculdades, em arquitetura totalmente aberta, apropriada por acadêmicos que criaram a base de todos os movimentos em “código aberto”. Na adolescência, foi novamente
apropriada por corporações, que viram nessa rede de redes uma tremenda oportunidade de negócios (hoje mais madura, graças à bolha das ponto
com em 2000). Enfim, chegamos ao ponto em que essa evolução tecnológica faz com que qualquer Zé Ruela pode se apropriar de ferramentas para se compartilhar informações. Alguns com mais influência que outros – mas veja, isso não tem a ver com a infra-estrutura, com linguagem de programação. Tem a ver com o pensamento humano, com os nossos objetivos. Tem gente que deseja unir pessoas para salvar o planeta, enquanto outros preferem garantir o funcionamento do sistema como está para cumprir metas de desempenho. É assim na rede e na vida. E só pra citar 1984, temos as nossas “novilinguas” para superar: o inglês, que nos aprisiona sim ao não saber lidar com conteúdos vindos de fora, e o “politiquês”, interessado em substituir aproppriar por controlar…

VP: Sim… bem, uma última perguntinha, pois já são duas da madruga, meu limite atual de insanidade pra quem acorda äs 6:30. Como se sente um

taurino legítimo – ou seja, amante do que é permanente e durável – diante de um mundo onde as coisas, as idéias e as rotinas são tão voláteis

e tão inconstantes como, por exemplo, este nosso mundo virtual, a blogosfera, a internet como um todo? (pergunto porque minha lua é em touro.

ou seja, meu problema são só as mulheres duráveis)…

André: Hahahahahahahahaha!!! Bom, talvez seja algo próprio desse negócio que chamamos de “cerumano”, mas a gente não consegue conviver muito

tempo com coisas que nos assustam. Nesse sentido, eu realmente me assusto um pouco com essa volatilidade. Mas pra seguir em frente, eu me

seguro firme naquilo que eu tenho certeza, sabe? Minha profissão, minhas escolhas de vida, as pessoas mais próximas… Assim, sempre que vejo

algo como “nossa, olha só aquele/aquilo, como mudoou”… O complemento é sempre algo como “bom, mas no fundo, isso ˜não importa”.

VP: Sim, sim. É, uma base sólida é importante. Eu vivo angustiado com isso, mas de outro jeito. As rotinas e as pessoas mudarem nem me

importa muito. O que me mata são coisas que quebram. Que escangalham.Carros, celulares, computadores. Pense num cabra desarvorado quando

quebra uma coisa. No fundo, acho que vc está mais tranquilo que eu com seu touro.

André: Imagino… Coisas da sociedade do consumo. Compremos outro, ue.

VP: Fazer o quê? Meu véio, prazer imenso.

André: Me diverti bastante! Valeu. Abração. Boa noite, bom descanso!

VP: Desu queira. (Desu é ótimo.)
Aemm.

André: Desu é api, aemm. (igerja uvinresal dos dislxiecos)

VP: hahahahahahahahahaa

André: :)

Publicado em Blogroll, blogs | 7 Comentários

7 Respostas

  1. em 09/04/2009 às 11:17 PM christiana

    Parabéns, querido! Eu tenho 5 anos de blog, portanto já posso me considerar, se não uma avó, pelo menos uma tiazinha, não?
    Ó, na quarta dia 9/9/9 vai rolar um sarau aqui no jardim botânico, pra inaugurar minha oficina de poesia. Será um prazer se vierem, você, sua mulher e toda a família! :o ) Mais infos lá no meu blog.
    Beijos


  2. em 09/05/2009 às 12:13 AM Cris Carriconde

    “Desu é api, aemm. (igerja uvinresal dos dislxiecos)”

    finlamente encotnro aum igerja

    Parabéns para a dupla!
    Sou bicona tagarela aqui no Pirão e lá no quase conterrâneo uso minha versão comedida.

    Beijocas


  3. em 09/05/2009 às 1:00 PM Marcelo Paiva

    Gde Marcos,

    Parabéns pelos 7 anos do pirão.

    Gde Abraço,
    Marcelo Paiva
    http://mspnet.blogspot.com
    http://twitter.com/mspnet


  4. em 09/05/2009 às 1:25 PM Patrícia Köhler

    Ê! Parabéns aos dois! Adorei a entrevista.
    E devo dizer que adoro os dois blogs, cada um à sua maneira. Tem textos do Marcos absolutamente maravilhosos e que me marcaram muito.
    O mesmo posso dizer em relação ao André.
    Sobre tempo de blogar, eu criei o Striptease Cerebral (e postava como Patrícia Köhler, meu sobrenome original) em 2004. 5 anos blogando, mas levando-se em conta os períodos que passo sem escrever, cai pruns 3,5. :P
    Agora voltei a usar meu sobrenome e mudei o nome pro original.
    Mais uma vez: parabéns André e Marcos!
    :)


  5. em 09/05/2009 às 5:11 PM anunciação

    Parabéns aos dois e em frente!


  6. em 09/07/2009 às 5:28 PM Lucia Malla

    Parabéns aos 2! São um porto seguro de sanidade moleque nessa blogosfera sem porteira…

    Beijos!


  7. em 09/08/2009 às 3:34 PM Henrique Coelho

    Aê,

    Plás, Plás, Plás…

    O que será que nos reserva o ano de 2012? Quando o Pirão completar 10 anos? Já pensou. festa no Morro da Urca?

    Ou será que pelo fato de você agora só ficar tuitano o pirão do peixe fedorento corre o risco de agonizar?

    Cenas dos próximos capítulos
    Pano rápido.

    Henrique



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