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	<title>Pirão Sem Dono</title>
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		<title>Pirão Sem Dono</title>
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		<title>Os ninguéns.</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Nov 2009 15:55:32 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Como é que em 14 anos de internet e 34 de leitura, eu nunca tinha esbarrado com esse poema eu sinceramente não sei.
&#8220;As pulgas sonham em comprar um cão, e os ninguéns com deixar a pobreza, que em algum dia mágico de sorte chova a boa sorte a cântaros; mas a boa sorte não chova [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pirao.wordpress.com&blog=386600&post=1111&subd=pirao&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Como é que em 14 anos de internet e 34 de leitura, eu nunca tinha esbarrado com esse poema eu sinceramente não sei.</p>
<p><em>&#8220;As pulgas sonham em comprar um cão, e os ninguéns com deixar a pobreza, que em algum dia mágico de sorte chova a boa sorte a cântaros; mas a boa sorte não chova ontem, nem hoje, nem amanhã, nem nunca, nem uma chuvinha cai do céu da boa sorte, por mais que os ninguéns a chamem e mesmo que a mão esquerda coce, ou se levantem com o pé direito, ou comecem o ano mudando de vassoura.</p>
<p>Os ninguéns: os filhos de ninguém, os dono de nada.<br />
Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e mal pagos:<br />
Que não são embora sejam.<br />
Que não falam idiomas, falam dialetos.<br />
Que não praticam religiões, praticam superstições.<br />
Que não fazem arte, fazem artesanato.<br />
Que não são seres humanos, são recursos humanos.<br />
Que não tem cultura, têm folclore.<br />
Que não têm cara, têm braços.<br />
Que não têm nome, têm número.<br />
Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas policiais da imprensa local.<br />
Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.&#8221;</em></p>
<p>(Os Ninguéns, Eduardo Galeano.)</p>
Posted in literatura  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/pirao.wordpress.com/1111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/pirao.wordpress.com/1111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/pirao.wordpress.com/1111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/pirao.wordpress.com/1111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/pirao.wordpress.com/1111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/pirao.wordpress.com/1111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/pirao.wordpress.com/1111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/pirao.wordpress.com/1111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/pirao.wordpress.com/1111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/pirao.wordpress.com/1111/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pirao.wordpress.com&blog=386600&post=1111&subd=pirao&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>O dilema da boa educação.</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Sep 2009 18:05:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>VP</dc:creator>
				<category><![CDATA[atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[mau humor]]></category>
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		<description><![CDATA[Se existe uma coisa óbvia nesse mundo &#8211; sim, não serei leviano em colocar essa pecha apenas sobre o Rio de Janeiro, mesmo que aqui seja um lugar onde esse tipo de coisa se potencializa &#8211; é que as pessoas que antigamente eram conhecidas como &#8220;bem educadas&#8221; são coisa fora de moda, para não dizer [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pirao.wordpress.com&blog=386600&post=1109&subd=pirao&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Se existe uma coisa óbvia nesse mundo &#8211; sim, não serei leviano em colocar essa pecha apenas sobre o Rio de Janeiro, mesmo que aqui seja um lugar onde esse tipo de coisa se potencializa &#8211; é que as pessoas que antigamente eram conhecidas como &#8220;bem educadas&#8221; são coisa fora de moda, para não dizer impraticáveis. Com raríssimas exceções, a boa educação não resolve mais nada. Se você quer ser respeitado, você precisa, hoje em dia, fazer  três coisas &#8211; não necessariamente nessa mesma ordem: pagar, ameaçar ou agredir. Sensatez?  polidez? esquece.</p>
<p>O fato é que, isto posto, quem recebeu há umas boas décadas um tipo de educação que preconizava o respeito ao próximo, o &#8220;ceder a vez&#8221;, o &#8220;falar baixo&#8221; e coisas assim, já percebeu que não tem muito lugar na sociedade. É claro, há que se viver e na vida a gente convive obrigatoriamente com outras pessoas. Mas a maioria dos bem educados entende que não dá para se envolver com qualquer um. Com isso, o convívio naturalmente se restringe e a gente passa a tratar só o indispensável com a maioria das pessoas. E torcendo, claro, para que esses casos  indesviáveis não sejam perigosos.</p>
<p>Contudo, quando os bem educados tem filhos, a coisa se complica. Porque quem quer, foge dos outros, se isola. Mas não dá para isolar as crianças do mundo. As crianças terão obrigatoriamente que conviver, durante anos a fio, com outras crianças e com os pais dessas crianças, gente que se encontra  aleatoriamente no mesmo colégio. O colégio, esse até pode ser escolhido, por critérios como excelência de ensino, localização, preço. Os amigos de nossos filhos, não.</p>
<p>E aí dá-se a desgraça. Porque quem é bem educado é minoria. Crianças bem educadas são mais minoria ainda. Uma criança bem educada é simplesmente atirada a uma turba de monstrinhos que os paizinhos e maezinhas adoram chamar de &#8220;anjinhos&#8221;. E ai de quem encosta a mão nesses futuros <em>pitboys</em>. As escolas, por seu lado, são empresas. Precisam de lucro. Ninguém vai contra quem está pagando e pagando bem. Entre desagradar os mal educados e os bem educados, não há muito o que escolher.</p>
<p>Eis aí o dilema dos bem educados diante do assédio &#8211; inevitável &#8211; às suas crianças: ter de ensiná-las a fazer tudo aquilo que lhes é mais abominável: revidar, agredir, desrespeitar, tomar o lugar à força, desprezar, debochar. A sobrevivência depende de usar as armas do adversário. E a escolha, ao final é entre dois sofrimentos. Ou se sofre por ser educado, ou por não poder mais sê-lo.</p>
Posted in atualidades, mau humor, papo cabeça  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/pirao.wordpress.com/1109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/pirao.wordpress.com/1109/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/pirao.wordpress.com/1109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/pirao.wordpress.com/1109/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/pirao.wordpress.com/1109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/pirao.wordpress.com/1109/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/pirao.wordpress.com/1109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/pirao.wordpress.com/1109/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/pirao.wordpress.com/1109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/pirao.wordpress.com/1109/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pirao.wordpress.com&blog=386600&post=1109&subd=pirao&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Smells like teen spirit</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Sep 2009 19:39:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>VP</dc:creator>
				<category><![CDATA[crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[heresias]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;(Penso que a pobreza da filosofia e da literatura no Bananão se deve, em boa medida, à curiosa idéia de &#8220;vivência&#8221; comum à maioria dos brasileiros. Você ouve um habitante da Botocúndia falar em &#8220;viver!&#8221;, com exclamação, e sabe de imediato que esse verbo exclui completamente: a) observação; b) raciocínio indutivo e dedutivo; c) leitura. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pirao.wordpress.com&blog=386600&post=1106&subd=pirao&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><em>&#8220;(Penso que a pobreza da filosofia e da literatura no Bananão se deve, em boa medida, à curiosa idéia de &#8220;vivência&#8221; comum à maioria dos brasileiros. Você ouve um habitante da Botocúndia falar em &#8220;viver!&#8221;, com exclamação, e sabe de imediato que esse verbo exclui completamente: a) observação; b) raciocínio indutivo e dedutivo; c) leitura. Todas essas coisas, para um brasileiro, são feitas fora da vida; très exotique, diria um francês do século 19 ajeitando seu monóculo. Claro, trata-se de uma noção infantil do que é a vida: criança é que não consegue ver nada -viver nada- sem pegar. Mesmo os sentidos se restringem ao tato e ao paladar. É por isso que o brasileiro acha que pegar a merda e pôr na boca é o único modo de &#8220;conhecê-la&#8221;. Transfira isso para a vida mental da nação -cacófato premeditado- e você entenderá por que boa parte dos nossos so-called escritores jamais saiu da fase anal.)&#8221;</em></p>
<p>Do velho <strong>Ruy Goiaba</strong>, republicação de uma republicação de 2005. Atualíssimo ainda, como podem perceber.</p>
Posted in crônicas, heresias  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/pirao.wordpress.com/1106/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/pirao.wordpress.com/1106/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/pirao.wordpress.com/1106/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/pirao.wordpress.com/1106/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/pirao.wordpress.com/1106/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/pirao.wordpress.com/1106/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/pirao.wordpress.com/1106/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/pirao.wordpress.com/1106/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/pirao.wordpress.com/1106/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/pirao.wordpress.com/1106/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pirao.wordpress.com&blog=386600&post=1106&subd=pirao&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Desliberdade</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Sep 2009 21:20:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>VP</dc:creator>
				<category><![CDATA[crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Revisitando meus textos antigos, achei este de fevereiro de 2003 jogado num canto. Não fui eu que escrevi. Foi a Alê Félix quando ela ainda era uma blogueira sem nome. Republico agora, nesta tarde em que eu alinhavo minhas ilusões na lona grosseira do tempo.
&#8220;O Fantasma da Liberdade
Os saudosistas acham que o    [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pirao.wordpress.com&blog=386600&post=1100&subd=pirao&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Revisitando meus textos antigos, achei este de fevereiro de 2003 jogado num canto. Não fui eu que escrevi. Foi a <a href="http://bloglog.globo.com/alefelix/" target="_blank">Alê Félix</a> quando ela ainda era uma blogueira sem nome. Republico agora, nesta tarde em que eu alinhavo minhas ilusões na lona grosseira do tempo.</p>
<p><em>&#8220;O Fantasma da Liberdade</em></p>
<p><em>Os saudosistas acham que o                    melhor da vida mora na lembrança, os calculistas acham que os                    melhores dias virão e alguns já desistiram de pensar nessas                    coisas e jogaram suas vidas nas mãos de deus. É assim que                    se divide a humanidade. Esse papo de &#8220;carpe diem&#8221; é conversa                    pra boi dormir. Pouquíssimas pessoas vivem o momento presente.                    Viver o presente requer liberdade, coragem, desprendimento&#8230;                    Ninguém é livre preso às lembranças do passado e aos planos                    para o futuro, ninguém é livre se é preso aos laços de                    família, amizade e amor. Ninguém é livre com contas vencendo                    no fim do mês. Impossível viver o presente se você não tem                    coragem para não deixar que esses detalhes influenciem o seu                    dia. É fácil! Pergunte-se: Onde você gostaria de estar                    agora e fazendo o que? Se o seu pensamento levou você para bem                    longe desta cadeira, esqueça. A sua liberdade é uma ilusão.&#8221; </em></p>
Posted in crônicas  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/pirao.wordpress.com/1100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/pirao.wordpress.com/1100/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/pirao.wordpress.com/1100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/pirao.wordpress.com/1100/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/pirao.wordpress.com/1100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/pirao.wordpress.com/1100/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/pirao.wordpress.com/1100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/pirao.wordpress.com/1100/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/pirao.wordpress.com/1100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/pirao.wordpress.com/1100/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pirao.wordpress.com&blog=386600&post=1100&subd=pirao&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Sete anos!</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Sep 2009 01:51:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>VP</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blogroll]]></category>
		<category><![CDATA[blogs]]></category>

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		<description><![CDATA[Foi no distante dia 4 de setembro de 2002 que eu, influenciado por um post do extinto blog Puragoiaba,  dei início à interminável saga sem fim do Pirão sem Dono.  Nesse tempo muita coisa mudou e sobre tudo que mudou eu já escrevi incessantemente em cada data de aniversário deste blog.  Uma coisa que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pirao.wordpress.com&blog=386600&post=1091&subd=pirao&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a href="http://pirao.files.wordpress.com/2009/09/5297_seven7_of_diamonds_playing_card.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1092" style="margin-left:6px;margin-right:6px;" title="5297_seven7_of_diamonds_playing_card" src="http://pirao.files.wordpress.com/2009/09/5297_seven7_of_diamonds_playing_card.jpg?w=112&#038;h=150" alt="5297_seven7_of_diamonds_playing_card" width="112" height="150" /></a>Foi no distante dia 4 de setembro de 2002 que eu, influenciado por um post do extinto blog <a href="http://puragoiaba.apostos.com/" target="_blank">Puragoiaba</a>,  dei início à interminável saga sem fim do <strong>Pirão sem Dono</strong>.  Nesse tempo muita coisa mudou e sobre tudo que mudou eu já escrevi incessantemente em cada data de aniversário deste blog.  Uma coisa que não mudou, contudo, é o fato de que o Pirão nasceu no mesmo dia &#8211; apenas três horas antes &#8211; de um famoso e importante blog, o <a href="http://dialetica.org/marmota/" target="_blank">Marmota &#8211; Mais dos Mesmos</a>.  Eu e seu criador, André Rosa, sempre nos lembramos que nossos blogs fazem aniversário juntos, são praticamente irmãos.  Deste modo, resolvemos comemorar nossos sete anos de alegrias e sofrimentos procedendo um post altamente <em>umbigo</em>. Sim, nós merecemos e ainda que a meritocracia informal da rede nem sempre tenha respeito aos umbiguistas (hahahaha!), lasque-se, porque nós somos praticamente uns matusaléns da blogosfera. As cãs hirsutas de nossos blogues ainda tem algum valor.  Assim, desse modo, o <em>Google Talk</em> juntou, na madrugada do dia 26/08, um gremista e um colorado em um descontraído bate papo, onde se falou de internet, blogs e de amenidades alhêas. Foi um presente para nós dois e para nossos blogs.</p>
<p>A entrevista <a href="http://dialetica.org/marmota/chegamos-aos-sete-anos/" target="_blank">começa aqui no blog do Marmota</a> e a continuação você lê aqui no  Pirão.</p>
<p><a href="http://pirao.files.wordpress.com/2009/09/andre-e-vp.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1093" style="margin-left:8px;margin-right:8px;" title="andre e vp" src="http://pirao.files.wordpress.com/2009/09/andre-e-vp.jpg?w=210&#038;h=158" alt="andre e vp" width="210" height="158" /></a></p>
<p><strong>VP:</strong> My turn um cadim. Uma das coisas mais surreais que rolaram no Pirão nesses sete anos, foi o caso em que eu conheci a tecladista <strong>Delia Fischer</strong> (que está atualmente em cartaz com o espetáculo <em>Beatles num Céu com Diamantes</em>) através do blog e lhe pedi, em um show dela, que autografasse dois CDs piratas de músicas dela para eu distribuir no Pirão. Qual a história mais interessante destes sete anos do MMM?</p>
<p><strong>André:</strong> Putz, foram várias! Cada pessoa que se aproximou do blog e que rendeu ao menos uma noite no boteco (ou uma manhã na Galeria dos Pão, né?) rende uma bela história! Talvez a mais maluca, cheia de meandros, encontros, despedidas, altos, baixos e emoções relacionadas ao blog ainda não tenha terminado, já que me tornei noivo dela&#8230; Mas enfim, vou resumir uma, que ainda não contei em detalhes (por pura preguiça) e eu adoro. Certa vez, uma professora pediu autorização para usar trechos do blog em um livro didático infantil. Autorizei com alegria, sem imaginar que o tal &#8220;livro&#8221; era, na verdade, um módulo da apostila Positivo, usada no Brasil inteiro! Graças a isso, recebi e-mails de alunos da quinta série por um bimestre inteiro! Cheguei inclusive a visitar uma escola dessas, onde fui sabatinado pela garotada! Foi uma experiência sensacional!</p>
<p><strong>VP: </strong>Eu sempre lhe tive na conta de um dos mais prolíficos produtores de blog da rede. Mas o MMM anda meio sumido, como andava aí um Belchior qualquer. Como seu espírito define esse tempo atual? fase, crise, mudança de rumo, não faço idéia ou NRA?</p>
<p><strong>André:</strong> Não só o MMM, mas também outras propostas bloguísticas que inaugurei com a Lu recentemente &#8211; o <em>blog de novelas</em> e o <a href="http://dialetica.org/copa/" target="_blank">blog da Copa</a>. Mas subitamente fui envolvido em minha carreira de professor, que acabou sendo o direcionamento que fui levando&#8230; E nesse contexto, acabo preparando uma porção de coisas que não refletem nessas atividades que me dão prazer! E é uma pena, pois devo ter de cem arquivos no meu Google Docs, cada um com um esboço de post que um dia comecei&#8230; Agora, posso dizer com certeza que os blogs não morreram. Apenas refletem minha &#8220;vida lá fora&#8221;&#8230; <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_razz.gif' alt=':P' class='wp-smiley' /> </p>
<p><strong>VP:</strong> Era o que eu ia perguntar. É fato que o MMM sempre teve a tecnologia da informação na rede como um dos temas mais caros. Se afastar disso, ter de assumir que a &#8220;vida lá fora&#8221; por vezes tem &#8220;peso maior&#8221; que a &#8220;vida virtual&#8221; não lhe angustia?</p>
<p><strong>André: </strong>Na verdade, não vejo como angústia, mas praticamente uma opção para que as coisas que estou me dedicando fluam mais. Talvez a opção errada, mas enfim. Não quero me livrar dos blogs, pelo contrário. Como entrei agora no mestrado, queria inclusive abrir um novo espaço, pra dedicar discussões ao tema que pretendo pesquisar, Mas ao mesmo tempo, eu me conheço bem&#8230; Se não dou conta sequer do meu blog preferido, que dirá mais um! :O</p>
<p><strong>VP: </strong>Uma das coisas costumeiras entre os blogueiros é que a maioria &#8211; com raras exceções &#8211; acaba lendo muitos blogs tb. Tem algum blog que você já lia desde o início do MMM e que você considera indispensável até hoje? e qual blog surgiu e se extinguiu nesse período e deixou saudades?</p>
<p><strong>André:</strong> Eu tento ler uma porção. Digo que tento pois meus itens não lidos do Google Reader estão sempre em &#8220;1000+&#8221;. Como se fosse bonito. Mas enfim&#8230; Ainda nos primórdios, lembro de ter encontrado, num mesmo domínio, dois blogs que eu adoraria ser quando crescer e que, só por coincidência, foram gerados na mesma cidade da minha família. Certamente estão entre os primeiros que linquei: o do casal <a href="http://pontomidia.com.br/ricardo" target="_blank">Ricardo Araújo</a> e <a href="http://pontomidia.com.br/raquel" target="_blank">Raquel Recuero</a>. Até hoje estão entre os meus favoritos. Puxa, e entre os que se extinguiram&#8230; Tinha o <strong>Pulso Único</strong>, do Eduardo Stuart, repleto e joguinhos viciantes. O <strong>Final do Fuzo</strong> (que reencarnou no <a href="http://dialetica.org/malditaculturapop" target="_blank">Maldita Cultura Pop</a>) era genial. Daquela época que começamos, gostava ainda do <a href="http://mundofoderoso.blogger.com.br" target="_blank">Mundo Foderoso</a>, do Daniel Zíngari (que assinava como Vincent Vega); do <a href="http://mosca.blogspot.com" target="_blank">Repórter Mosca</a>, do Fausto Rêgo; do <a href="http://jornaleco2.blogspot.com" target="_blank">Jornaleco!</a>, do Carlos Vidigal&#8230; Às vezes fico me perguntando onde foram parar estes e outros personagens da nossa &#8220;Era Blogger&#8221;, como a <strong>Thakira </strong>e seus templates, o <strong>Jaks </strong>(conterrâneo da <a href="http://cambada.net" target="_blank">Cambada</a> de Recife), entre outros tantos&#8230;</p>
<p><strong>VP: </strong>Falando um pouco do ambiente virtual e aproveitando que você é um <em>jornalista/blogueiro</em>: Eu vejo essa rusga eterna entre jornalistas e blogueiros como algo assim posto: jornalistas dizem que blogueiros não tem credibilidade, blogueiros acusam jornalistas de não serem independentes. É assim mesmo? Algum dia esse cenário mudará e blogueiros alcançarão a credibilidade de jornalistas ou jornalistas, a independência de blogueiros?</p>
<p><strong>André:</strong> Não, não é assim mesmo. Esses rótulos não fazem sentido por uma razão bem simples: todos esses rótulos &#8211; &#8220;de direita&#8221;, &#8220;de esquerda&#8221; de milícia&#8221;, &#8220;de aluguel&#8221;, valem pra qualquer &#8220;categoria&#8221;. Com o perdão do chavão, esse esforço em definir preto ou branco ignora os milhões<br />
de tons de cinza possíveis, e essa complexidade formada por múltiplas vozes exige uma lógica diferente, onde qualquer um pode enxergar uma nova oportunidade. E não são só blogueiros ou jornalistas: as próprias fontes primárias, como algumas celebridades que se arriscam no Twitter<br />
(para o bem ou para o mal), podem entender essa dinâmica e alcançar esta credibilidade. Enfim, ainda vamos nos surpreender um bocado com esses debates fora de foco &#8211; este, sobre o &#8220;fim da blogosfera&#8221; é outro. Amanhã vai ser o &#8220;fim do Twitter&#8221;, assim que o google Wave ou qualquer ferramenta batuta decolar&#8230;</p>
<p><strong>VP:</strong> Não sei quanto a você, mas eu trabalho diretamente com internet há cerca de 14 anos. Em metade desse tempo, eu tive um blog. O que você acha que, nesses sete anos, foram as apostas mais bem sucedidas e as mais fracassadas da rede? Uma de cada. E não vale citar a <strong>Madoninha Capixaba</strong> como fracasso.</p>
<p><strong>André:</strong> Uau! Bom, meu tempo envolvido com internet é um pouquinho menor &#8211; onze anos. Mas como conversamos uma vez na Galeria dos Pão, é muito bacana termos atravessado essa fase com ares de pioneirismo, de certa forma isso ajuda a enxergar as boas e más oportunidades, não? Entre as fracassadas nestes sete anos&#8230; Vou arriscar uma: cobrar por um serviço que pode ser obtido de graça. E dá pra pinçar inúmeros modelos. Mas como estamos falando em blogs, teve a história clássica da cobrança da Globo.com pelo uso do <strong>Blogger Brasil</strong>. Naquela época, fiquei com a impressão de que, realmente, os usuários daquele serviço fariam questão de pagar pra permanecer com o endereço &#8211; como se todos fossem uns nostálgicos presos ao passado, como eu! Hahaha!</p>
<p><strong>VP:</strong> Pobre Blogger Brasil&#8230;</p>
<p><strong>André:</strong> Agora, entre as que deram certo&#8230; Caceta, é difícil reconhecer algo que realmente dê certo, né? É tão mais fácil meter o pau&#8230; Ah, mas como você citou &#8220;cases que deram certo na rede&#8221;, vou dar uma resposta fácil: Google.</p>
<p><strong>VP:</strong> Sim&#8230;</p>
<p>André: A história do Google é fascinante. Dois caras inteligentes bolaram um algoritmo e, a partir dele, criaram uma empresa sem os vícios corporativos que conhecemos.</p>
<p><strong>VP:</strong> Eu ainda citaria RSS/Feeds e talvez, as redes sociais. O próprio Twitter é um fenômeno. Mas o Google é realmente coisa de outro planeta.  Talvez o Google seja outro planeta&#8230;</p>
<p><strong>André:</strong> Verdade. O Twitter é uma dessas coisas que, de repente, pegaram por aqui. Mas ainda acho que ele pode ser substituído por alguma coisa que faça com que a gente troque pequenas mensagens curtas de um jeito mais fácil. Um jeito &#8220;Google&#8221;, digamos.</p>
<p><strong>VP:</strong> Possivelmente. É questão de tempo, creio. Falando nisso, momento jabá&#8230; a volta do futebol de botão é outro fenômeno na rede, sabia? hahahahahahaha! Ontem mesmo, no caderno de informática do Globo, estavam anunciando um joguinho de botão virtual para o iPhone&#8230;:-)</p>
<p><strong>André:</strong> Hahahahahahahahaha!!! Boa notícia pro <a href="http://escudinhos.blogspot.com" target="_blank">Escudinhos</a>, certamente um dos melhores blogs do ramo botonístico!</p>
<p><strong>VP:</strong> Eu já devo ter uns três dólares de <em>Adsense </em>lá. Preciso verificar. Dá pra comprar uma mariola usada, em bom estado talvez. Bem, mas falando em iPhone, vossa insolência é um cara convergente ou divergente?</p>
<p><strong>André:</strong> Depende do tema. Eu me considero &#8220;convergente&#8221;, na medida do possível. Mas ultimamente, ando mais &#8220;divergente&#8221;: não me sinto à vontade com relações virtuais, especialmente envolvendo marcas, produtos e afins.</p>
<p><strong>VP:</strong> Ah, sim&#8230; você fala do já famoso caso dos bonés da Puma?</p>
<p><strong>André:</strong> Sim, este e muitos outros. Fico com a impressão que algumas figuras ficaram impressionadas com o poder que, de repente, eles receberam com sua presença em rede. Algo como: faturar cem contos pra escrever sobre uma delas. Não vejo mesmo problemas em capitalizar esta lógica, mas nem todo mundo parece ter entendido que a dinâmica é diferente do que vemos na mídia tradicional, sabe?</p>
<p><strong>VP:</strong> Olha, esse é um daqueles assuntos que eu tenho até medo de comentar, hehehe. Dia desses um grande publicitário conhecido meu, cara que eu respeito muitíssimo, me pediu uma opinião sobre publicidade na rede. Eu me perguntava: conto a ele ou não? hehe. Mas, como se diz&#8230; tenho que levar o leite das crianças pra casa. Literalmente&#8230;;-)</p>
<p><strong>André:</strong> Hahahahahahahahaha! É, talvez seja a melhor resposta. Vez ou outra, temo pelo meu futuro profissional em função de algumas opiniões&#8230;</p>
<p><strong>VP:</strong> Voltando um pouquinho. No caso, a convergência que eu quis dizer era de aparelhagem mesmo. Você é dos que gostam daquelas engenhocas <em>ultra-super-plus</em> que fazem tudo ou, como o tio velho aqui, acha que telefone é pra telefonar, <em>uólquimém </em>é pra ouvir música e<em> máquina</em> é pra <em>tirar retrato</em> e tudo junto não funciona nenhuma das coisas bem?</p>
<p><strong>André:</strong> Aaaahhhh! Hahahahahahaha!!! Bom, desde que consegui instalar o gmail num celularzinho bem simplezinho que tive há um tempo, fiquei com vontade de testar um smartphone. E há um ano piloto um &#8220;cleverphone&#8221; &#8211; não é exatamente &#8220;smart&#8221;, mas faz algumas coisinhas batutas.</p>
<p><strong>VP:</strong> Escrever em teclado de celular costuma me dar frêmitos de ódio. E olha que nos tempos difíceis, até relação eu discutia via torpedo&#8230;</p>
<p><strong>André:</strong> Exatamente! O tecladinho me incomoda! Não vejo a hora de trocar meu atual telefone por um desses com teclado QWERTY! Agora, hoje, por exemplo: e-mail, twitter e navegações rápidas no celular são constantes.</p>
<p><strong>VP:</strong> Convergente. Parabéns. Have lots of fun&#8230;:-)</p>
<p><strong>André:</strong> Tem uma citação ótima do <strong>Douglas Adams</strong>, que é mais ou menos assim: até os nossos 20 anos, absorvemos toda a tecnologia existente numa boa; entre os 20 e 40 anos, ainda entendemos parte da evolução, mas não exatamente no mesmo ritmo; dos 40 anos em diante, só presta aquilo que é do meu tempo. <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
<p><strong>VP:</strong> Hahahahaha. Pronto. É isso. Ano que vem eu chego, não muito glorioso, aos 40.</p>
<p><strong>André: </strong>Uia! Vai ter festona!</p>
<p><strong>VP:</strong> Toda data fechada eu prometo que vou fazer uma festona. E desisto. Por um motivo óbvio: Eu odeio festas! Hahahaha!</p>
<p><strong>André:</strong> Sério? Mas por que?</p>
<p><strong>VP:</strong> Tirando o fato emocional (dava uma tese, essa merda&#8230;) de que quase a totalidade de minhas festas foi una grande buesta, mesmo olhando racionalmente para a coisa, eu sempre me pergunto: o que fazer numa festa? como me comportar numa festa? E nunca chego a uma conclusão razoável. Festa pra mim é como, por exemplo, se eu fosse a uma praia de nudismo. Ia ficar o tempo todo sem saber onde colocar as mãos.</p>
<p><strong>André:</strong> Hahahaha! Ah, entendo você. Normalmente, não faço festa. Simplesmente aviso uma turma que vou celebrar meu aniversário num bar. Que, diga-se, é sempre o mesmo, e só eu frequento&#8230; Imagino que os donos marcam no calendário: &#8220;maio está chegando, vamos fazer o orçamento do ano que vem, pois nossas contas vão fechar&#8221;&#8230;</p>
<p><strong>VP:</strong> hahahahahahaha</p>
<p><strong>André:</strong> E é estranho mesmo &#8220;juntar panelas&#8221; distintas, não dá pra ficar sentado num mesmo lugar a noite toda&#8230;</p>
<p><strong>VP:</strong> Falando sério de novo: O livro <strong>1984</strong>, do <strong>George Orwell</strong> (que eu imagino que você já leu) é uma assustadora profecia sobre os dias de hoje. A história sendo reescrita dia a dia, a destruição das raízes culturais linguísticas como forma de dominação e o fantasma da eterna vigilância são aspectos facilmente identificáveis na internet hoje em dia. Qual a melhor definição da rede, então? uma poderosa e democrática via para a opinião e a manifestação livre dos indivíduos ou um sorvedouro de almas inocentes controlado pelo poder vigente? ou ambas as coisas ou nenhuma delas?</p>
<p><strong>André:</strong> Uau, pergunta complexa! Bom, vou tentar não fazer um tratado aqui, por isso corro o risco de ser simplista ao tentar responder &#8220;ambas as coisas&#8221;: gosto muito da palavra &#8220;apropriação&#8221; para explicar alguns comportamentos em rede. Tomando como exemplo a Internet, que está<br />
prestes a fazer 40 anos. Nasceu filhinha de militares, com quatro computadores interconectados. Cresceu nas faculdades, em arquitetura totalmente aberta, apropriada por acadêmicos que criaram a base de todos os movimentos em &#8220;código aberto&#8221;. Na adolescência, foi novamente<br />
apropriada por corporações, que viram nessa rede de redes uma tremenda oportunidade de negócios (hoje mais madura, graças à bolha das ponto com em 2000). Enfim, chegamos ao ponto em que essa evolução tecnológica faz com que qualquer Zé Ruela pode se apropriar de ferramentas para se compartilhar informações. Alguns com mais influência que outros &#8211; mas veja, isso não tem a ver com a infra-estrutura, com linguagem de programação. Tem a ver com o pensamento humano, com os nossos objetivos. Tem gente que deseja unir pessoas para salvar o planeta, enquanto outros preferem garantir o funcionamento do sistema como está para cumprir metas de desempenho. É assim na rede e na vida. E só pra citar 1984, temos as nossas &#8220;novilinguas&#8221; para superar: o inglês, que nos aprisiona sim ao não saber lidar com conteúdos vindos de fora, e o &#8220;politiquês&#8221;, interessado em substituir aproppriar por controlar&#8230;</p>
<p><strong>VP:</strong> Sim&#8230; bem, uma última perguntinha, pois já são duas da madruga, meu limite atual de insanidade pra quem acorda às 6:30. Como se sente um taurino legítimo &#8211; ou seja, amante do que é permanente e durável &#8211; diante de um mundo onde as coisas, as idéias e as rotinas são tão voláteis e tão inconstantes como, por exemplo, este nosso mundo virtual, a blogosfera, a internet como um todo? (pergunto porque minha lua é em touro. ou seja, meu problema são só as mulheres duráveis)&#8230;</p>
<p><strong>André:</strong> Hahahahahahahahaha!!! Bom, talvez seja algo próprio desse negócio que chamamos de &#8220;cerumano&#8221;, mas a gente não consegue conviver muito tempo com coisas que nos assustam. Nesse sentido, eu realmente me assusto um pouco com essa volatilidade. Mas pra seguir em frente, eu me seguro firme naquilo que eu tenho certeza, sabe? Minha profissão, minhas escolhas de vida, as pessoas mais próximas&#8230; Assim, sempre que vejo algo como &#8220;nossa, olha só aquele/aquilo, como mudoou&#8221;&#8230; O complemento é sempre algo como &#8220;bom, mas no fundo, isso ˜não importa&#8221;.</p>
<p><strong>VP:</strong> Sim, sim. É, uma base sólida é importante. Eu vivo angustiado com isso, mas de outro jeito. As rotinas e as pessoas mudarem nem me importa muito. O que me mata são coisas que quebram. Que escangalham.Carros, celulares, computadores. Pense num cabra desarvorado quando quebra uma coisa. No fundo, acho que vc está mais tranquilo que eu com seu touro.</p>
<p><strong>André:</strong> Imagino&#8230; Coisas da sociedade do consumo. Compremos outro, ue.</p>
<p><strong>VP:</strong> Fazer o quê? Meu véio, prazer imenso.</p>
<p><strong>André:</strong> Me diverti bastante! Valeu. Abração. Boa noite, bom descanso!</p>
<p><strong>VP:</strong> Desu queira. (Desu é ótimo.)<br />
Aemm.</p>
<p><strong>André:</strong> Desu é api, aemm. (igerja uvinresal dos dislxiecos)</p>
<p><strong>VP:</strong> hahahahahahahahahaa</p>
<p><strong>André:</strong> <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
<div id="_mcePaste" style="overflow:hidden;position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">VP: My turn um cadim. Uma das coisas mais surreais que rolaram no pirão nesses sete anos, foi o caso em que eu conheci a tecladista Delia Fischer (que está atualmente em cartaz com o espetáculo Beatles num Céu com Diamantes) através do blog e lhe pedi, em um show dela, que autografasse dois CDs piratas de músicas dela para eu distribuir no pirão. Qual a história mais interessante destes sete anos do MMM?</p>
<p>André: Putz, foram várias! Cada pessoa que se aproximou do blog e que rendeu ao menos uma noite no boteco (ou uma manhã na Galeria dos Pão, né?) rende uma bela história! Talvez a mais maluca, cheia de meandros, encontros, despedidas, altos, baixos e emoções relacionadas ao blog ainda não tenha terminado, já que me tornei noivo dela&#8230; Mas enfim, vou resumir uma, que ainda não contei em detalhes (por pura preguiça) e eu adoro. Certa vez, uma professora pediu autorização para usar trechos do blog em um livro didático infantil. Autorizei com alegria, sem imaginar que o tal &#8220;livro&#8221; era, na verdade, um módulo da apostila Positivo, usada no Brasil inteiro! Graças a isso, recebi e-mails de alunos da quinta série por um bimestre inteiro! Cheguei inclusive a visitar uma escola dessas, onde fui sabatinado pela garotada! Foi uma experiência sensacional!</p>
<p>VP: Eu sempre lhe tive na conta de um dos mais prolíficos produtores de blog da rede. Mas o MMM anda meio sumido,</p>
<p>como andava aí um Belchior qualquer. Como seu espírito define esse tempo atual? fase, crise, mudança de rumo, não faço idéia ou NRA?</p>
<p>André: Não só o MMM, mas também outras propostas bloguísticas que inaugurei com a Lu recentemente &#8211; o blog de novelas e o blog da Copa. Mas</p>
<p>subitamente fui envolvido em minha carreira de professor, que acabou sendo o direcionamento que fui levando&#8230; E nesse contexto, acabo</p>
<p>preparando uma porção de coisas que não refletem nessas atividades que me dão prazer! E é uma pena, pois devo ter de cem arquivos no meu</p>
<p>Google Docs, cada um com um esboço de post que um dia comecei&#8230; Agora, posso dizer com certeza que os blogs não morreram. Apenas refletem</p>
<p>minha &#8220;vida lá fora&#8221;&#8230; <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_razz.gif' alt=':P' class='wp-smiley' /> </p>
<p>VP: Era o que eu ia perguntar. É fato que o MMM sempre teve a tecnologia da informação na rede como um dos temas mais caros. Se afastar</p>
<p>disso, ter de assumir que a &#8220;vida lá fora&#8221; por vezes tem &#8220;peso maior&#8221; que a &#8220;vida virtual&#8221; não lhe angustia?</p>
<p>André: Na verdade, não vejo como angústia, mas praticamente uma opção para que as coisas que estou me dedicando fluam mais. Talvez a opção</p>
<p>errada, mas enfim. Não quero me livrar dos blogs, pelo contrário. Como entrei agora no mestrado, queria inclusive abrir um novo espaço, pra</p>
<p>dedicar discussões ao tema que pretendo pesquisar, Mas ao mesmo tempo, eu me conheço bem&#8230; Se não dou conta sequer do meu blog preferido,</p>
<p>que dirá mais um! :O</p>
<p>VP: Uma das coisas costumeiras entre os blogueiros é que a maioria &#8211; com raras exceções &#8211; acaba lendo muitos blogs tb. Tem algum blog que você já lia desde o início do MMM e que você considera indispensável até hoje? e qual blog surgiu e se extinguiu nesse período e deixou saudades?</p>
<p>André: Eu tento ler uma porção. Digo que tento pois meus itens não lidos do Google Reader estão sempre em &#8220;1000+&#8221;. Como se fosse bonito. Mas<br />
enfim. Ainda nos primórdios, lembro de ter encontrado, num mesmo domínio, dois blogs que eu adoraria ser quando crescer e que, só por coincidência, foram gerados na mesma cidade da minha família. Certamente estão entre os primeiros que linquei: o do casal &lt;a href=&#8221;http://pontomidia.com.br/ricardo&#8221; target=&#8221;_blank&#8221;&gt;Ricardo Araújo&lt;/a&gt; e &lt;a href=&#8221;http://pontomidia.com.br/raquel&#8221; target=&#8221;_blank&#8221;&gt;Raquel Recuero&lt;/a&gt;. Até hoje estão entre os meus favoritos. Puxa, e entre os que se extinguiram&#8230; Tinha o Pulso Único, do Eduardo Stuart, repleto e joguinhos viciantes. O Final do Fuzo (que reencarnou no &lt;a href=&#8221;http://dialetica.org/malditaculturapop&#8221;&gt;Maldita Cultura Pop&lt;/a&gt; era genial. Daquela época que começamos, gostava ainda do &lt;a href=&#8221;http://mundofoderoso.blogger.com.br&#8221;&gt;Mundo Foderoso&lt;/a&gt;, do Daniel Zíngari (que assinava como Vincent Vega); do &lt;a href=&#8221;http://mosca.blogspot.com&#8221;&gt;Repórter Mosca&lt;/a&gt;, do Fausto Rêgo; do &lt;a href=&#8221;http://jornaleco2.blogspot.com&#8221;&gt;Jornaleco!&lt;/a&gt;, do Carlos Vidigal&#8230; Às vezes fico me perguntando onde foram parar estes e outros personagens da nossa &#8220;Era Blogger&#8221;, como a Thakira e seus templates, o Jaks (conterrâneo da &lt;a href=&#8221;http://cambada.net&#8221;&gt;Cambada&lt;/a&gt; de Recife), entre outros tantos&#8230;</p>
<p>VP: Falando um pouco do ambiente virtual e aproveitando que você é um jornalista/blogueiro: Eu vejo essa rusga eterna entre jornalistas e blogueiros como algo assim posto: jornalistas dizem que blogueiros não tem credibilidade, blogueiros acusam jornalistas de não serem independentes. É assim mesmo? Algum dia esse cenário mudará e blogueiros alcançarão a credibilidade de jornalistas ou jornalistas, a independência de blogueiros?</p>
<p>André: Não, não é assim mesmo. Esses rótulos não fazem sentido por uma razão bem simples: todos esses rótulos &#8211; &#8220;de direita&#8221;, &#8220;de esquerda&#8221; de milícia&#8221;, &#8220;de aluguel&#8221;, valem pra qualquer &#8220;categoria&#8221;. Com o perdão do chavão, esse esforço em definir preto ou branco ignora os milhões<br />
de tons de cinza possíveis, e essa complexidade formada por múltiplas vozes exige uma lógica diferente, onde qualquer um pode enxergar uma<br />
nova oportunidade. E não são só blogueiros ou jornalistas: as próprias fontes primárias, como algumas celebridades que se arriscam no Twitter<br />
(para o bem ou para o mal), podem entender essa dinâmica e alcançar esta credibilidade. Enfim, ainda vamos nos surpreender um bocado com<br />
esses debates fora de foco &#8211; este, sobre o &#8220;fim da blogosfera&#8221; é outro. Amanhã vai ser o &#8220;fim do Twitter&#8221;, assim que o google Wave ou qualquer ferramenta batuta decolar&#8230;</p>
<p>VP: Não sei quanto a você, mas eu trabalho diretamente com internet há cerca de 14 anos. Em metade desse tempo, eu tive um blog. O que você</p>
<p>acha que, nesses sete anos, foram as apostas mais bem sucedidas e as mais fracassadas da rede? Uma de cada. E não vale citar a Madoninha</p>
<p>Capixaba como fracasso.</p>
<p>André: Uau! Bom, meu tempo envolvido com internet é um pouquinho menor &#8211; onze anos. Mas como conversamos uma vez na Galeria dos Pão, é muito</p>
<p>bacana termos atravessado essa fase com ares de pioneirismo, de certa forma isso ajuda a enxergar as boas e más oportunidades, não? Entre as</p>
<p>fracassadas nestes sete anos&#8230; Vou arriscar uma: cobrar por um serviço que pode ser obtido de graça. E dá pra pinçar inúmeros modelos. Mas</p>
<p>como estamos falando em blogs, teve a história clássica da cobrança da Globo.com pelo uso do Blogger Brasil. Naquela época, fiquei com a</p>
<p>impressão de que, realmente, os usuários daquele serviço fariam questão de pagar pra permanecer com o endereço &#8211; como se todos fossem uns</p>
<p>nostálgicos presos ao passado, como eu! Hahaha!</p>
<p>VP: Pobre Blogger Brasil&#8230;</p>
<p>André: Agora, entre as que deram certo&#8230; Caceta, é difícil reconhecer algo que realmente dê certo, né? É tão mais fácil meter o pau&#8230; Ah,</p>
<p>mas como você citou &#8220;cases que deram certo na rede&#8221;, vou dar uma resposta fácil: Google.</p>
<p>VP: Sim&#8230;</p>
<p>André: A história do Google é fascinante. Dois caras inteligentes bolaram um algoritmo e, a partir dele, criaram uma empresa sem os vícios</p>
<p>corporativos que conhecemos.</p>
<p>VP: Eu ainda citaria RSS/Feeds e talvez, as redes sociais. O próprio twitter é um fenômeno. Mas o Google é realmente coisa de outro planeta.</p>
<p>Talvez o Google seja outro planeta&#8230;</p>
<p>André: Verdade. O Twitter é uma dessas coisas que, de repente, pegaram por aqui. Mas ainda acho que ele pode ser substituído por alguma coisa</p>
<p>que faça com que a gente troque pequenas mensagens curtas de um jeito mais fácil. Um jeito &#8220;Google&#8221;, digamos.</p>
<p>VP: Possivelmente. É questão de tempo, creio. Falando nisso, momento jabá&#8230; a volta do futebol de botão é outro fenômeno na rede, sabia?</p>
<p>hahahahahahaha! Ontem mesmo, no caderno de informática do Globo, estavam anunciando um joguinho de botão virtual para o iPhone&#8230;:-)</p>
<p>André: Hahahahahahahahaha!!! Boa notícia pro Escudinhos, certamente um dos melhores blogs do ramo botonístico!</p>
<p>VP: Eu já devo ter uns três dólares de adsense lá. Preciso verificar. Dá pra comprar uma mariola usada, em bom estado talvez. Bem, mas</p>
<p>falando em iPone, vossa insolência é um cara convergente ou divergente?</p>
<p>André: Depende do tema. Eu me considero &#8220;convergente&#8221;, na medida do possível. Mas ultimamente, ando mais &#8220;divergente&#8221;: não me sinto à vontade</p>
<p>com relações virtuais, especialmente envolvendo marcas, produtos e afins.</p>
<p>VP: Ah, sim&#8230; vc fala do já famoso caso dos bonés da Puma?</p>
<p>André: Sim, este e muitos outros. Fico com a impressão que algumas figuras ficaram impressionadas com o poder que, de repente, eles receberam</p>
<p>com sua presença em rede. Algo como: faturar cem contos pra escrever sobre uma delas. Não vejo mesmo problemas em capitalizar esta lógica,</p>
<p>mas nem todo mundo parece ter entendido que a dinâmica é diferente do que vemos na mídia tradicional, sabe?</p>
<p>VP: Olha, esse é um daqueles assuntos que eu tenho até medo de comentar, hehehe. Dia desses um grande publicitário conhecido meu, cara que eu</p>
<p>respeito muitíssimo, me pediu uma opinião sobre publicidade na rede. Eu me perguntava: conto a ele ou não? hehe. Mas, como se diz&#8230; tenho</p>
<p>que levar o leite das crianças pra casa. Literalmente&#8230;;-)</p>
<p>André: Hahahahahahahahaha! É, talvez seja a melhor resposta. Vez ou outra, temo pelo meu futuro profissional em função de algumas opiniões&#8230;</p>
<p>VP: Voltando um pouquinho. No caso, a convergência que eu quis dizer era de aparelhagem mesmo. Você é dos que gostam daquelas engenhocas</p>
<p>ultra-super-plus que fazem tudo ou, como o tio velho aqui, acha que telefone é pra telefonar, uólquimém é pra ouvir música e câmera é pra</p>
<p>fotografar e tudo junto não funciona nenhuma das coisas bem?</p>
<p>André: Aaaahhhh! Hahahahahahaha!!! Bom, desde que consegui instalar o gmail num celularzinho bem simplezinho que tive há um tempo, fiquei com</p>
<p>vontade de testar um smartphone. E há um ano piloto um &#8220;cleverephone&#8221; &#8211; não é exatamente &#8220;smart&#8221;, mas faz algumas coisinhas batutas.</p>
<p>VP: Escrever em teclado de celular costuma me dar frêmitos de ódio. E olha que nos tempos difíceis, até relação eu discutia via torpedo&#8230;</p>
<p>André: Exatamente! O tecladinho me incomoda! Não vejo a hora de trocar meu atual telefone por um desses com teclado QWERTY! Agora, hoje, por</p>
<p>exemplo: e-mail, twitter e navegações rápidas no celular são constantes.</p>
<p>VP: Convergente. Parabéns. Have lots of fun&#8230;:-)</p>
<p>André: Tem uma citação ótima do Douglas Adams, que é mais ou menos assim: até os nossos 20 anos, absorvemos toda a tecnologia existente numa</p>
<p>boa; entre os 20 e 40 anos, ainda entendemos parte da evolução, mas não exatamente no mesmo ritmo; dos 40 anos em diante, só presta aquilo</p>
<p>que é do meu tempo. <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>VP: Hahahahaha. Pronto. É isso. Ano que vem eu chego, não muito glorioso, aos 40.</p>
<p>André: Uia! Vai ter festona!</p>
<p>VP: Toda data fechada eu prometo que vou fazer uma festona. E desisto. Por um motivo óbvio: Eu odeio festas! Hahahaha!</p>
<p>André: Sério? Mas por que?</p>
<p>VP: Tirando o fato emocional (dava uma tese, essa merda&#8230;) de que quase a totalidade de minhas festas foi una grande buesta, mesmo olhando</p>
<p>racionalmente para a coisa, eu sempre me pergunto: o que fazer numa festa? como me comportar numa festa? E nunca chego a uma conclusão</p>
<p>razoável. Festa pra mim é como, por exemplo, se eu fosse a uma praia de nudismo. Ia ficar o tempo todo sem saber onde colocar as mãos.</p>
<p>André: Hahahaha! Ah, entendo você. Normalmente, não faço festa. Simplesmente aviso uma turma que vou celebrar meu aniversário num bar. Que,</p>
<p>diga-se, é sempre o mesmo, e só eu frequento&#8230; Imagino que os donos marcam no calendário: &#8220;maio está chegando, vamos fazer o orçamento do</p>
<p>ano que vem, pois nossas contas vão fechar&#8221;&#8230;</p>
<p>VP: hahahahahahaha</p>
<p>André: E é estranho mesmo &#8220;juntar panelas&#8221; distintas, não dá pra ficar sentado num mesmo lugar a noite toda&#8230;</p>
<p>VP: Falando sério de novo: O livro 1984, do George Orwell (que eu imagino que você já leu) é uma assustadora profecia sobre os dias de hoje. A história sendo reescrita dia a dia, a destruição das raízes culturais linguísticas como forma de dominação e o fantasma da eterna vigilância são aspectos facilmente identificáveis na internet hoje em dia. Qual a melhor definição da rede, então? uma poderosa e democrática via para a opinião e a manifestação livre dos indivíduos ou um sorvedouro de almas inocentes controlado pelo poder vigente? ou ambas as coisas ou nenhuma delas?</p>
<p>André: Uau, pergunta complexa! Bom, vou tentar não fazer um tratado aqui, por isso corro o risco de ser simplista ao tentar responder &#8220;ambas as coisas&#8221;: gosto muito da palavra &#8220;apropriação&#8221; para explicar alguns comportamentos em rede. Tomando como exemplo a Internet, que está<br />
prestes a fazer 40 anos. Nasceu filhinha de militares, com quatro computadores interconectados. Cresceu nas faculdades, em arquitetura totalmente aberta, apropriada por acadêmicos que criaram a base de todos os movimentos em &#8220;código aberto&#8221;. Na adolescência, foi novamente<br />
apropriada por corporações, que viram nessa rede de redes uma tremenda oportunidade de negócios (hoje mais madura, graças à bolha das ponto<br />
com em 2000). Enfim, chegamos ao ponto em que essa evolução tecnológica faz com que qualquer Zé Ruela pode se apropriar de ferramentas para se compartilhar informações. Alguns com mais influência que outros &#8211; mas veja, isso não tem a ver com a infra-estrutura, com linguagem de programação. Tem a ver com o pensamento humano, com os nossos objetivos. Tem gente que deseja unir pessoas para salvar o planeta, enquanto outros preferem garantir o funcionamento do sistema como está para cumprir metas de desempenho. É assim na rede e na vida. E só pra citar 1984, temos as nossas &#8220;novilinguas&#8221; para superar: o inglês, que nos aprisiona sim ao não saber lidar com conteúdos vindos de fora, e o &#8220;politiquês&#8221;, interessado em substituir aproppriar por controlar&#8230;</p>
<p>VP: Sim&#8230; bem, uma última perguntinha, pois já são duas da madruga, meu limite atual de insanidade pra quem acorda äs 6:30. Como se sente um</p>
<p>taurino legítimo &#8211; ou seja, amante do que é permanente e durável &#8211; diante de um mundo onde as coisas, as idéias e as rotinas são tão voláteis</p>
<p>e tão inconstantes como, por exemplo, este nosso mundo virtual, a blogosfera, a internet como um todo? (pergunto porque minha lua é em touro.</p>
<p>ou seja, meu problema são só as mulheres duráveis)&#8230;</p>
<p>André: Hahahahahahahahaha!!! Bom, talvez seja algo próprio desse negócio que chamamos de &#8220;cerumano&#8221;, mas a gente não consegue conviver muito</p>
<p>tempo com coisas que nos assustam. Nesse sentido, eu realmente me assusto um pouco com essa volatilidade. Mas pra seguir em frente, eu me</p>
<p>seguro firme naquilo que eu tenho certeza, sabe? Minha profissão, minhas escolhas de vida, as pessoas mais próximas&#8230; Assim, sempre que vejo</p>
<p>algo como &#8220;nossa, olha só aquele/aquilo, como mudoou&#8221;&#8230; O complemento é sempre algo como &#8220;bom, mas no fundo, isso ˜não importa&#8221;.</p>
<p>VP: Sim, sim. É, uma base sólida é importante. Eu vivo angustiado com isso, mas de outro jeito. As rotinas e as pessoas mudarem nem me</p>
<p>importa muito. O que me mata são coisas que quebram. Que escangalham.Carros, celulares, computadores. Pense num cabra desarvorado quando</p>
<p>quebra uma coisa. No fundo, acho que vc está mais tranquilo que eu com seu touro.</p>
<p>André: Imagino&#8230; Coisas da sociedade do consumo. Compremos outro, ue.</p>
<p>VP: Fazer o quê? Meu véio, prazer imenso.</p>
<p>André: Me diverti bastante! Valeu. Abração. Boa noite, bom descanso!</p>
<p>VP: Desu queira. (Desu é ótimo.)<br />
Aemm.</p>
<p>André: Desu é api, aemm. (igerja uvinresal dos dislxiecos)</p>
<p>VP: hahahahahahahahahaa</p>
<p>André: <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </div>
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		<title>Da utilidade das manifestações populares.</title>
		<link>http://pirao.wordpress.com/2009/08/26/da-utilidade-das-manifestacoes-populares/</link>
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		<pubDate>Wed, 26 Aug 2009 03:28:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>VP</dc:creator>
				<category><![CDATA[atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[heresias]]></category>

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		<description><![CDATA[Diz um velho ditado que se as baratas soubessem o poder que tem, a humanidade estaria extinta faz tempo.  Os serumanos, em geral, são como as baratas: se organizam apenas para não ficarem sozinhos. O que não nos impede de pensar um pouco como seria se um dia acontecesse do inconsciente coletivo das pessoas resolver [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pirao.wordpress.com&blog=386600&post=1086&subd=pirao&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Diz um velho ditado que se as baratas soubessem o poder que tem, a humanidade estaria extinta faz tempo.  Os serumanos, em geral, são como as baratas: se organizam apenas para não ficarem sozinhos. O que não nos impede de pensar um pouco como seria se um dia acontecesse do inconsciente coletivo das pessoas resolver se dirigir para uma ação prática e coordenada contra as mazelas que o afligem. Imaginemos o seguinte exemplo: cansados de tantos desmandos, populares resolvem atacar o congresso nacional.</p>
<p>1.  Uma coluna de três milhões de habitantes do DF, resolve abrir mão voluntariamente de seu conforto, de suas obrigações e resolve por em risco a própria integridade física em uma ação desprendida, ousada e irrevogável: cercar o congresso nacional e impedir que os parlamentares saiam de lá vivos. A idéia é dar um exemplo final à escumalha que legisla sobre o país. A ação é rápida e eficaz. Em pouco tempo o congresso está completamente cercado. Ninguém pode sair.</p>
<p>2. A primeira reação vem dos seguranças que estão dentro do prédio. Desesperados, eles atiram para abrir caminho. Alguns populares morrem, mas os seguranças acabam desarmados e mortos.</p>
<p>3. A segunda reação é da Polícia Militar, que tenta dispersar a multidão pelo lado de fora. Novamente acontece a mesma coisa: populares morrem mas a PM não tem  munição e gás o suficiente para deter tamanha multidão. A essa altura, mais e mais pessoas chegam à esplanada. A PM acaba sufocada entre a multidão que já se encontra lá e a que vem chegando.</p>
<p>4. Os parlamentares evocam a presença do exército. Uma coluna de blindados cerca a multidão. Os comandantes tem a ordem de abrir caminho até o prédio e resgatar os parlamentares, não importando o número de vítimas. Entendendo que é chegada a hora do confronto, a coluna investe contra a multidão. A multidão, por sua vez, invade em definitivo o congresso e trucida, um a um, os parlamentares. A esplanada assiste a um massacre. Milhares de mortos. Por fim, o congresso é incendiado. A multidão restante se dispersa.</p>
<p>5. Um mês depois, no prédio da assembléia legislativa do DF, os suplentes dos parlamentares mortos assumem seus mandatos. O primeiro ato é determinar que, 24h por dia haverá uma coluna de blindados cercando o parlamento. E que reuniões públicas estão proibidas. A lição dada, ao final, é a seguinte: contra o detefon, irmão, não há barata que chegue.</p>
<p>E a vida segue.</p>
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		<title>Madrugada</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Aug 2009 09:32:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>VP</dc:creator>
				<category><![CDATA[crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Madrugada, esta de hoje, que já começa com ares de encerrada, cinza, em névoa aconchegada. A ti, hora de paz e silêncio, onde ninguém grita ou brada seus hinos e certezas, seus ódios e terrores, a ti entrego meus olhos cansados de acordar. A ti escrevo sem que saibam, um trecho que em breve esquecerei, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pirao.wordpress.com&blog=386600&post=1084&subd=pirao&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Madrugada, esta de hoje, que já começa com ares de encerrada, cinza, em névoa aconchegada. A ti, hora de paz e silêncio, onde ninguém grita ou brada seus hinos e certezas, seus ódios e terrores, a ti entrego meus olhos cansados de acordar. A ti escrevo sem que saibam, um trecho que em breve esquecerei, pequena gota de orvalho caída em papel de mentira. Madrugada, perdida, ignorada, piada dos ébrios, salvação dos covardes, nêmesis dos notívagos, madrugada mãe de terno abraço, da sugestão do sol e da chuva que molha o vidro. Te encontro lânguido, mas é frio teu regaço. Madrugada cinzenta, sem cor, sem vontade, sem início e sem fim, companhia dos poetas, solitários, como este que  finge habitar em mim.</p>
Posted in crônicas  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/pirao.wordpress.com/1084/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/pirao.wordpress.com/1084/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/pirao.wordpress.com/1084/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/pirao.wordpress.com/1084/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/pirao.wordpress.com/1084/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/pirao.wordpress.com/1084/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/pirao.wordpress.com/1084/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/pirao.wordpress.com/1084/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/pirao.wordpress.com/1084/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/pirao.wordpress.com/1084/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pirao.wordpress.com&blog=386600&post=1084&subd=pirao&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Dr. Freud ajuda a entender a blogosfera.</title>
		<link>http://pirao.wordpress.com/2009/08/18/dr-freud-ajuda-a-entender-a-blogosfera/</link>
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		<pubDate>Tue, 18 Aug 2009 17:42:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>VP</dc:creator>
				<category><![CDATA[blogs]]></category>
		<category><![CDATA[heresias]]></category>
		<category><![CDATA[mau humor]]></category>

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		<description><![CDATA[SUPEREGO (sem conseguir conter um leve sorriso no canto da boca) &#8211; Eu te disse, não é? Eu te disse, eu te disse, isso um dia ia acabar acontecendo. Não se constroem castelos no vento e espera-se que sejam sólidos, eu avisei.
ID (Tristonho no sofá) &#8211; Ah, vá a merda. Isso é só uma crisezinha.
S [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pirao.wordpress.com&blog=386600&post=1080&subd=pirao&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>SUPEREGO (sem conseguir conter um leve sorriso no canto da boca) &#8211; Eu te disse, não é? Eu te disse, eu te disse, isso um dia ia acabar acontecendo. Não se constroem castelos no vento e espera-se que sejam sólidos, eu avisei.</p>
<p>ID (Tristonho no sofá) &#8211; Ah, vá a merda. Isso é só uma crisezinha.</p>
<p>S &#8211; Crisezinha uma ova. Até quando vocês acham que vão conseguir enganar os outros? Acharam que iam ficar vendendo suas inutilidades a vida inteira e ninguém ia desconfiar dessa eterna metalinguagem que vocês usam? Fala sério. Quantos &#8220;gênios&#8221; vocês criaram por aí nesse tempo, heim? Grandes escritores, especialistas máximos, expertos dos mais vastos assuntos, filósofos de seu tempo. Pro inferno com essas imposturas.</p>
<p>I &#8211; Entre nós há grandes escritores sim! Não vê quantos elogios  recebemos?</p>
<p>S &#8211; De quem são esses elogios? de vocês mesmos, os blogueiros? de acadêmicos obscuros, de comunicólogos fracassados que só em sua turma sobressaem? onde estão as grandes críticas sobre vocês nos grandes meios de comunicação? onde estão as citações a vocês  na academia?</p>
<p>I (irritado) &#8211; Isso tudo que você cita é passado! A comunicação agora é virtual! Nós somos o <em>stablishment</em>!</p>
<p>S &#8211; Quem deu a vocês esse título, hum? Foi o passado que já se encerrou? Estão vocês já estão estabilizados no presente, não é mesmo? São vocês o paradigma do futuro? Balela. Tudo o que vocês fazem é papagaiar em círculos, é agir entre amigos, é compartilhar de um universo fechado. E digo, heim? um universo fechado e ínfimo!</p>
<p>I &#8211; Seu problema é a inveja. Nós temos sucesso, você tem o quê?</p>
<p>S &#8211; A razão, para variar. Não lhe passa pela cabeça como vocês são patéticos? são meia dúzia de palestrantes do vazio, levemente envernizados de marketing, que a maioria não estudou o suficiente nem para entender o que é uma matriz de SWOT, vendendo uns aos outros sob uma carga enorme de elogios, atacando violentamente quem lhes joga a luz da realizade em cima, iludindo milhares de incautos sôfregos por esse mesmo arremedo de êxito que vocês dizem possuir, quando na verdade vocês não são capazes de vender sequer um poeminha mimeografado em porta de bar. Porque esses, quando eram vendidos, era porque eram bons. Tinham valor. Nada do que vocês fazem tem valor por si só. O valor de vocês é artificial, inventado, ilusório.</p>
<p>I &#8211; Isso, fale, fale o quanto quiser. Não vai adiantar nada. A rede veio para ficar, nós somos seus pioneiros, seus desbravadores. Nós determinaremos o que vai acontecer daqui para a frente, será que você não entende?</p>
<p>S &#8211; Entendo apenas que vocês se debatem. Nem seus textinhos vazios vocês conseguem fazer com que pareçam originais. Vocês estão se repetindo, muito, o tempo todo. No momento, a bem da verdade, a única coisa que cresce em vocês é bolor.</p>
<p>I &#8211; Não importa. Nós somos a ação e se por acaso as coisas derem errado, nós aprenderemos com os erros e corrigiremos nosso caminho. Nós somos a ponta de lança. E vamos seguir em frente.</p>
<p>S &#8211; Sim. Quando aprenderem a fazer alguma coisa realmente útil.</p>
<p>I &#8211; Como o quê, sabichão? jornal de papel?</p>
<p>S -Depois eu é que tenho inveja. Quem é que guarda emoldurados até hoje as poucas reportagens sobre vocês mesmos que saíram em jornais de papel, quando vocês ainda eram uma novidade?</p>
<p>I &#8211; O jornal de papel está morrendo!</p>
<p>S &#8211; E por sorte, não por causa de vocês. Seria uma lástima ver a comunicação venal ser pura e simplesmente substituída pela comunicação virtual. Ia dar na mesma, somente com mais patrões e menos empregados.</p>
<p>I &#8211; Você não desiste, não é? mas em compensação, não tem qualquer solução para o futuro.</p>
<p>S &#8211; Não é meu trabalho dar soluções. Meu trabalho é passar as soluções em um filtro crítico. No fundo, eu esperava mais de vocês. Menos apego às próprias criações, menos ranço de velhice em pessoas tão novas. Cabeças abertas, é o que falta a vocês.</p>
<p>I &#8211; Quem pode ser cabeça aberta com alguém tão arraigado de morais nos perturbando?</p>
<p>(nesta hora, o EGO, já cansado do bate boca, estica o braço em seu sofá e sorrateiramente puxa o fio da conexão. há limites para tudo, até para discussões.)</p>
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		<title>Tribute to Mr. Lester William Polfus</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Aug 2009 19:44:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>VP</dc:creator>
				<category><![CDATA[atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>

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		<description><![CDATA[ O vovozinho aí do lado é um dos caras mais importantes da história da música. Lester William Polfus, conhecido como Les Paul, foi o inventor da guitarra elétrica de corpo sólido, essas aí que você, amigo leitor está cansado de ver nos clipes e shows mundo afora. Les Paul virou marca e virou lenda, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pirao.wordpress.com&blog=386600&post=1077&subd=pirao&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a href="http://pirao.files.wordpress.com/2009/08/lespaul_l130809.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1078" style="margin-left:8px;margin-right:8px;" title="LesPaul_L130809" src="http://pirao.files.wordpress.com/2009/08/lespaul_l130809.jpg?w=240&#038;h=147" alt="LesPaul_L130809" width="240" height="147" /></a> O vovozinho aí do lado é um dos caras mais importantes da história da música. Lester William Polfus, conhecido como <strong>Les Paul</strong>, foi o inventor da guitarra elétrica de corpo sólido, essas aí que você, amigo leitor está cansado de ver nos clipes e shows mundo afora. Les Paul virou marca e virou lenda, elevada aos píncaros por uma das duas maiores fábricas de instrumentos músicais do planeta, a <a href="http://www2.gibson.com/Gibson.aspx" target="_blank">Gibson</a>. Sem ele, o som de caras como Jimmy Page, Joe Perry ou Slash não seria o mesmo. O desenho da <a href="http://www.westcoastguitars.co.uk/images/wallpapers/1024_59lespaul.jpg" target="_blank">guitarra</a> que leva seu nome é, sem dúvida, uma das obras de design mais replicadas da história. Les Paul, o vovozinho, morreu hoje em Nova York, aos 94 anos. Que descanse em paz, pois os instrumentos que ele desenhou, com certeza jamais o farão.</p>
Posted in atualidades, música  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/pirao.wordpress.com/1077/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/pirao.wordpress.com/1077/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/pirao.wordpress.com/1077/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/pirao.wordpress.com/1077/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/pirao.wordpress.com/1077/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/pirao.wordpress.com/1077/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/pirao.wordpress.com/1077/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/pirao.wordpress.com/1077/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/pirao.wordpress.com/1077/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/pirao.wordpress.com/1077/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pirao.wordpress.com&blog=386600&post=1077&subd=pirao&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>A cidade dos sonhos.</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Aug 2009 17:33:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>VP</dc:creator>
				<category><![CDATA[crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Passei quase toda a minha vida morando em cidades de que não gosto. Em cada uma delas,  alguma coisa me dizia: aqui não é minha casa. A Fortaleza dos ricos, bonitos e bem novinhos nunca me teve como filho. O Rio de Janeiro insolente e despudorado, terra da beleza e do prazer nunca me [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pirao.wordpress.com&blog=386600&post=1071&subd=pirao&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Passei quase toda a minha vida morando em cidades de que não gosto. Em cada uma delas,  alguma coisa me dizia: aqui não é minha casa. A Fortaleza dos<em> ricos, bonitos e bem novinhos</em> nunca me teve como filho. O Rio de Janeiro insolente e despudorado, terra da beleza e do prazer nunca me pareceu um lar. O isolamento de Friburgo e a distância de Brasília &#8211; e dos brasilienses &#8211; tampouco me serviu de alento.</p>
<p>Claro, haverá sempre os que, munidos de sua melhor psicologia de botequim me retruquem com a velha frase: quem não está bem consigo mesmo, não estará bem em lugar nenhum. Sim, é verdade, eu até acredito. Não obstante, mesmo que eu estivesse bem comigo mesmo, Rio, Fortaleza, Friburgo e Brasília não se tornariam cidades melhores e mais ao meu gosto. Ou seja, há mais do que só a auto estima em dia.</p>
<p>Me pergunto de vez em quando: onde é meu lugar? Seria na São Paulo dos feios e pálidos que eu encontraria os meus iguais? Aguentaria-lhe a falta de cor e os engarrafamentos? Curitiba, a fria,  plástica e enevoada Curitiba&#8230; estaria lá a resposta ao meu desejo por tranquilidade e paz? Eu viveria bem na montanhosa BH, onde há amigos queridos, meninas bonitas, centenas de bares mas, ao contrário do que diz seu nome, nenhum horizonte, já que eu só entendo como horizonte aquele que é reto como a linha do mar mais distante? Conheço São Luiz, Natal, João Pessoa, Recife, todas de antigamente. Me pergunto se em algum desses litorais de agora eu encontraria paz para contemplar o mar que eu amo no silêncio que preciso.</p>
<p>Estive, vida afora, em muitas cidades para onde nem penso em voltar e que não o farei, se puder. Em outras &#8211; como Ouro Preto &#8211;  eu amo passar apenas alguns dias.  Outras, como Miami e Ft. Lauderdale, na Flórida, são oníricas e por isso mesmo, diáfanas, fluidas. Não parecem locais possíveis. E há muitos lugares que não conheço, ainda aqui no Brasil. Será que eu me daria bem na elétrica e solar Salvador? ou na pequena e acolhedora Maceió? Será que Porto Alegre me inspiraria os versos e humores quintânicos que tanto amo?</p>
<p>Me sinto triste porque olho pela janela e passo pelas ruas e percorro distâncias sem nunca encontrar o que procuro, por não saber ao certo o que procuro e mesmo por não saber se aquilo que procuro existe de fato. Onde estará a cidade em que desejo desembarcar, chegar de viagem, e onde estará a minha casinha branca de varanda, onde entrarei pela porta e soltarei no chão as malas e suspirarei o suspiro dos que chegaram, que chegaram no lugar último de uma verdadeira chegada? Haverá a cidade que sonho, onde erguerei a casa que sonho e onde viverei os meus dias, até que eles cheguem a termo?</p>
<p>Eu não tenho um nome, nem endereço, nem mapa que me leve a ela. Resta apontar o nariz para a direção que for. E ir.</p>
Posted in crônicas  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/pirao.wordpress.com/1071/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/pirao.wordpress.com/1071/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/pirao.wordpress.com/1071/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/pirao.wordpress.com/1071/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/pirao.wordpress.com/1071/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/pirao.wordpress.com/1071/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/pirao.wordpress.com/1071/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/pirao.wordpress.com/1071/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/pirao.wordpress.com/1071/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/pirao.wordpress.com/1071/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pirao.wordpress.com&blog=386600&post=1071&subd=pirao&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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