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Archive for the ‘literatura’ Category

Os ninguéns.

Como é que em 14 anos de internet e 34 de leitura, eu nunca tinha esbarrado com esse poema eu sinceramente não sei.

“As pulgas sonham em comprar um cão, e os ninguéns com deixar a pobreza, que em algum dia mágico de sorte chova a boa sorte a cântaros; mas a boa sorte não chova ontem, nem hoje, nem amanhã, nem nunca, nem uma chuvinha cai do céu da boa sorte, por mais que os ninguéns a chamem e mesmo que a mão esquerda coce, ou se levantem com o pé direito, ou comecem o ano mudando de vassoura.

Os ninguéns: os filhos de ninguém, os dono de nada.
Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e mal pagos:
Que não são embora sejam.
Que não falam idiomas, falam dialetos.
Que não praticam religiões, praticam superstições.
Que não fazem arte, fazem artesanato.
Que não são seres humanos, são recursos humanos.
Que não tem cultura, têm folclore.
Que não têm cara, têm braços.
Que não têm nome, têm número.
Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas policiais da imprensa local.
Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.”

(Os Ninguéns, Eduardo Galeano.)

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LITERATURA MICRORESUMIDA 5

(…) E tudo era aquela catinga de suor e peixe frito que empesteava o mundo.

(O Cortiço, Aluísio Azevedo)

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Arcádio não, vovó! Meu nome é Au-re-li-a-no!

(Cem Anos de Solidão, Gabriel Garcia Márquez)

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LITERATURA MICRORESUMIDA 3

O mulungu do bebedouro cobriu-se de arribações. Fudeu.

(Vidas Secas, Graciliano Ramos)

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LIVROS

Promessa é dívida. Prometi escrever sobre os livros da Editora Os Viralata que eu li ao final do ano. Não deixaria de cumpri-la.

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Operação P2” – que eu li duas vezes e supostamente revisei – foi o segundo livro que li de Olivia Maia. O primeiro se chama “Que os mortos enterrem” – sim, eu ainda não li “Desumano” – e ainda não foi publicado. Ambos tem o estilo forte da Olivia como semelhança. Olivia é uma criadora de personagens. Ela os imagina e os cria de forma que eles se tornam quase reais e a partir daí ela se pergunta: que história esses personagens poderiam viver? E partem daí seus livros, de texto ágil, caracterizados por personagens – não poderia ser diferente – de poderoso mindstream. Operação P2 é um policial psicológico, vivido entre São Paulo e Rio de Janeiro, dividido entre dois personagens que antagonicamente resolvem remexer na mesma história, um para enterrá-la e o outro para trazê-la à tona.

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Luiz Biajoni é um exagerado. Todo seu estilo de escrever – e talvez de viver – se baseia no exagero. É assim com “Sexo Anal – Uma novela marrom” que é um primor de hipérboles. “Virginia Berlim, uma experiência” não escaparia dessa proposição. Apresentado a mim como o maior encarte de CD dos últimos tempos, “Virginia Berlim” na verdade, é um conto comme il fault, um recorte de um momento, uma experiência, como o próprio título já diz. É melhor, sob minhas vistas, que o primeiro livro de Biajoni e seu tamanho – os livros pequenos de hoje costumam me incomodar – é coerente com o texto. O livro flui e Biajoni discorre sobre um fato recorrente da vida: nada é perfeito. Tudo no livro se volta a este aforismo, inclusive metalingüísticamente. Afinal, há um CD – um belo CD – no livro. E em teoria, este CD é parte da experiência. Acabei ouvindo-o depois de ler o livro, e comprovei o que já pensava: nada é perfeito e tudo em Biajoni extrapola. Uma palavra retirada do livro teria salvo a experiência da ligação entre texto e música. E então, tudo seria perfeito e “Virginia Berlim” seria um primor de sutileza. Mas quem disse que Biajoni quer isso?

capa_brancoleone.jpgOs Melhores (e alguns dos piores) textos de Branco Leone” foi, sem dúvida e de longe, o livro mais engraçado que eu li nos últimos anos, e de certa forma, mais agradável que “Loucuras de Publicitário”, do Lula Vieira, que é hilário mas, a mim, incômodo. Nada neste livro do Branco é incômodo, pelo contrário. É um livro que nos solta a gargalhada e se o leitor não toma algumas precauções, solta outras partes mais recônditas do corpo. Um livrinho adorável, daqueles que a gente mantém na estante para ler de vez em quando, quando a vida insistir em pesar. capa_incompletos.jpg

Já “Incompletos“, o livro mais recente do Branco, tem um grande defeito, que é um defeito que eu percebo na maioria dos livros dos blogueiros, alguns com mais gravidade que outros: ele é pequeno. É curto. Quando a gente quer mais, ele acaba. Tudo bem, tem livros curtos que são aquilo mesmo, uma palavra a mais o estragaria. “Morte em Veneza”, do Mann é um desses casos. “Sexo Anal”, do Bia, eu já achei um livro grande, se é que você me entende. “Virginia Berlim” tem um tamanho mais confortável. Sim, eu entendo perfeitamente que a época frenética em que vivemos é propícia para livros pequenos, que o povo tem preguiça de ler, eu lamentavelmente sou publicitário mas não a tôa. Pelo menos eu posso entender o contexto ao meu redor. Mas eu gosto de tijolões, fazer o que? Fora esse pequeno porém, contudo, o livro é irretocável. As histórias são ótimas e mesmo a que mais me incomodou – a da festa – teve a qualidade de ser incômoda como a própria festa descrita. Eu, que prefiro que mil pulgas me infestem as axilas a ir a uma festa sozinho (ou acompanhado, eu odeio festas de morte), sabia que a história só podia acabar daquele jeito. Para mim, foi um conto absolutamente metalingüístico, angustiante, desesperador, tive que voltar várias vezes, uma merda completa. Odiei. Parabéns ao Branco, he did it.

capa_meiasvermelhas.jpg Por fim, a grande surpresa do ano: “Meias Vermelhas e Histórias Inteiras“, livro de estréia do Doni. Supresa em termos. Esse foi, de longe, o ano do Doni na blogosfera. Segundo minha muy humilde opinião, o blog Hedonismos foi o mais bem escrito da rede esse ano que passou. E a verve do meu xará não poderia estar distanciada do livro. “Meias Vermelhas” é uma adorável coleção de histórias românticas, leves e sorrateiras, que nos pegam pelo pé (não seria a tôa o título) e nos levam até o final. Cronicas e contos de amor e principalmente de esperança, que é aquilo que por vezes sobra aos amantes. O amor, que por vezes é matéria explosiva e por outras um material que parece inerte, é o grande personagem. Moldado, remexido, remanchado. Mas sempre o amor, em sua presença e em sua possibilidade. Parabéns ao Doni.

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COMPRA AÍ, MEU

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Querem dicas? Leiam aqui.

E mais: eu não faço propaganda(*) do que não conheço. Em breve, aqui mesmo neste batecanal, resenhas de cinco livros da editora que eu li recentemente.

(*) Isto é um post não patrocinado. Ou quanto muito, patrocinado pela amizade, respeito e consideração. Não há dinheiro envolvido.

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Pois não é que só agora, dois meses depois de iniciadas as festividades de Natal, aparece finalmente uma coisa que eu queria muuuito ganhar? Sensacional!

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Vi aqui.

Falando em lançamentos, que tal as crianças prestigiarem a editora independente número 1 do Brasil, hein?

Para este Natal, vários lançamentos, ótimos textos, preços justos, muito justos, justíssimos.

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Sem falar nos livros já consagrados do catálogo.

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Dê cultura de presente esse Natal.

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