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Dolores à venda.

Servivinho de classificados e utilidade pública.

Caros leitores e amigos,

Estou vendendo (sic) minha guitarra, uma Ibanez AF-75 semi-acústica, linda, novíssima, sem 1 arranhão, sem 1 chiado, sem 1 ferrugenzinha, com case e cordas Ernie Ball 0.10. Quero R$1000. Se souberem de alguém interessado, entrem em contato.
Fotos aqui:
http://twitpic.com/photos/marcosvp

Abs.
VP, este amigo de vocês.

Dolores

Minhas dores estão ali na sala, veja. São como os gatos sobre os pufes. Eles passam o dia por aí, dormitando. Às vezes acordam, comem, brincam e voltam a dormir. E ficam aí, para que eu me lembre deles de vez em quando, mesmo quando eu me ocupo da vida, quando estou brincando com as crianças, quando estou no trabalho, ou no trânsito, ou escutando aquela música antiga e então elas vêm e me pedem atenção, não me mordendo ou arranhando ou arrancando pedaços de minhas orelhas ou furando meus olhos. Elas vêm e bafejam em meu coração e respiram em meus olhos e enroscam-se em minhas pernas e deitam em meu colo e então eu não tenho como fazer mais nada a não ser parar, parar e esperar que elas se dêem por satisfeitas, alimentadas de minha angústia e de meu medo e então voltem aos pufes para dormitar. E assim são elas, entende? E não, não é simples mandá-las embora. Ora, afinal elas estão aí na minha vida, no meu peito e na minha alma, pelo mesmo motivo que os gatos estão aí, sobre os meus pufes, na minha sala, morando comigo e compartilhando de minha vida. E você sabe qual o motivo.

Os ninguéns.

Como é que em 14 anos de internet e 34 de leitura, eu nunca tinha esbarrado com esse poema eu sinceramente não sei.

“As pulgas sonham em comprar um cão, e os ninguéns com deixar a pobreza, que em algum dia mágico de sorte chova a boa sorte a cântaros; mas a boa sorte não chova ontem, nem hoje, nem amanhã, nem nunca, nem uma chuvinha cai do céu da boa sorte, por mais que os ninguéns a chamem e mesmo que a mão esquerda coce, ou se levantem com o pé direito, ou comecem o ano mudando de vassoura.

Os ninguéns: os filhos de ninguém, os dono de nada.
Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e mal pagos:
Que não são embora sejam.
Que não falam idiomas, falam dialetos.
Que não praticam religiões, praticam superstições.
Que não fazem arte, fazem artesanato.
Que não são seres humanos, são recursos humanos.
Que não tem cultura, têm folclore.
Que não têm cara, têm braços.
Que não têm nome, têm número.
Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas policiais da imprensa local.
Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.”

(Os Ninguéns, Eduardo Galeano.)

Se existe uma coisa óbvia nesse mundo – sim, não serei leviano em colocar essa pecha apenas sobre o Rio de Janeiro, mesmo que aqui seja um lugar onde esse tipo de coisa se potencializa – é que as pessoas que antigamente eram conhecidas como “bem educadas” são coisa fora de moda, para não dizer impraticáveis. Com raríssimas exceções, a boa educação não resolve mais nada. Se você quer ser respeitado, você precisa, hoje em dia, fazer três coisas – não necessariamente nessa mesma ordem: pagar, ameaçar ou agredir. Sensatez? polidez? esquece.

O fato é que, isto posto, quem recebeu há umas boas décadas um tipo de educação que preconizava o respeito ao próximo, o “ceder a vez”, o “falar baixo” e coisas assim, já percebeu que não tem muito lugar na sociedade. É claro, há que se viver e na vida a gente convive obrigatoriamente com outras pessoas. Mas a maioria dos bem educados entende que não dá para se envolver com qualquer um. Com isso, o convívio naturalmente se restringe e a gente passa a tratar só o indispensável com a maioria das pessoas. E torcendo, claro, para que esses casos indesviáveis não sejam perigosos.

Contudo, quando os bem educados tem filhos, a coisa se complica. Porque quem quer, foge dos outros, se isola. Mas não dá para isolar as crianças do mundo. As crianças terão obrigatoriamente que conviver, durante anos a fio, com outras crianças e com os pais dessas crianças, gente que se encontra aleatoriamente no mesmo colégio. O colégio, esse até pode ser escolhido, por critérios como excelência de ensino, localização, preço. Os amigos de nossos filhos, não.

E aí dá-se a desgraça. Porque quem é bem educado é minoria. Crianças bem educadas são mais minoria ainda. Uma criança bem educada é simplesmente atirada a uma turba de monstrinhos que os paizinhos e maezinhas adoram chamar de “anjinhos”. E ai de quem encosta a mão nesses futuros pitboys. As escolas, por seu lado, são empresas. Precisam de lucro. Ninguém vai contra quem está pagando e pagando bem. Entre desagradar os mal educados e os bem educados, não há muito o que escolher.

Eis aí o dilema dos bem educados diante do assédio – inevitável – às suas crianças: ter de ensiná-las a fazer tudo aquilo que lhes é mais abominável: revidar, agredir, desrespeitar, tomar o lugar à força, desprezar, debochar. A sobrevivência depende de usar as armas do adversário. E a escolha, ao final é entre dois sofrimentos. Ou se sofre por ser educado, ou por não poder mais sê-lo.

Smells like teen spirit

“(Penso que a pobreza da filosofia e da literatura no Bananão se deve, em boa medida, à curiosa idéia de “vivência” comum à maioria dos brasileiros. Você ouve um habitante da Botocúndia falar em “viver!”, com exclamação, e sabe de imediato que esse verbo exclui completamente: a) observação; b) raciocínio indutivo e dedutivo; c) leitura. Todas essas coisas, para um brasileiro, são feitas fora da vida; très exotique, diria um francês do século 19 ajeitando seu monóculo. Claro, trata-se de uma noção infantil do que é a vida: criança é que não consegue ver nada -viver nada- sem pegar. Mesmo os sentidos se restringem ao tato e ao paladar. É por isso que o brasileiro acha que pegar a merda e pôr na boca é o único modo de “conhecê-la”. Transfira isso para a vida mental da nação -cacófato premeditado- e você entenderá por que boa parte dos nossos so-called escritores jamais saiu da fase anal.)”

Do velho Ruy Goiaba, republicação de uma republicação de 2005. Atualíssimo ainda, como podem perceber.

Desliberdade

Revisitando meus textos antigos, achei este de fevereiro de 2003 jogado num canto. Não fui eu que escrevi. Foi a Alê Félix quando ela ainda era uma blogueira sem nome. Republico agora, nesta tarde em que eu alinhavo minhas ilusões na lona grosseira do tempo.

“O Fantasma da Liberdade

Os saudosistas acham que o melhor da vida mora na lembrança, os calculistas acham que os melhores dias virão e alguns já desistiram de pensar nessas coisas e jogaram suas vidas nas mãos de deus. É assim que se divide a humanidade. Esse papo de “carpe diem” é conversa pra boi dormir. Pouquíssimas pessoas vivem o momento presente. Viver o presente requer liberdade, coragem, desprendimento… Ninguém é livre preso às lembranças do passado e aos planos para o futuro, ninguém é livre se é preso aos laços de família, amizade e amor. Ninguém é livre com contas vencendo no fim do mês. Impossível viver o presente se você não tem coragem para não deixar que esses detalhes influenciem o seu dia. É fácil! Pergunte-se: Onde você gostaria de estar agora e fazendo o que? Se o seu pensamento levou você para bem longe desta cadeira, esqueça. A sua liberdade é uma ilusão.”

Sete anos!

5297_seven7_of_diamonds_playing_cardFoi no distante dia 4 de setembro de 2002 que eu, influenciado por um post do extinto blog Puragoiaba, dei início à interminável saga sem fim do Pirão sem Dono.  Nesse tempo muita coisa mudou e sobre tudo que mudou eu já escrevi incessantemente em cada data de aniversário deste blog.  Uma coisa que não mudou, contudo, é o fato de que o Pirão nasceu no mesmo dia – apenas três horas antes – de um famoso e importante blog, o Marmota – Mais dos Mesmos.  Eu e seu criador, André Rosa, sempre nos lembramos que nossos blogs fazem aniversário juntos, são praticamente irmãos.  Deste modo, resolvemos comemorar nossos sete anos de alegrias e sofrimentos procedendo um post altamente umbigo. Sim, nós merecemos e ainda que a meritocracia informal da rede nem sempre tenha respeito aos umbiguistas (hahahaha!), lasque-se, porque nós somos praticamente uns matusaléns da blogosfera. As cãs hirsutas de nossos blogues ainda tem algum valor.  Assim, desse modo, o Google Talk juntou, na madrugada do dia 26/08, um gremista e um colorado em um descontraído bate papo, onde se falou de internet, blogs e de amenidades alhêas. Foi um presente para nós dois e para nossos blogs.

A entrevista começa aqui no blog do Marmota e a continuação você lê aqui no Pirão.

andre e vp

VP: My turn um cadim. Uma das coisas mais surreais que rolaram no Pirão nesses sete anos, foi o caso em que eu conheci a tecladista Delia Fischer (que está atualmente em cartaz com o espetáculo Beatles num Céu com Diamantes) através do blog e lhe pedi, em um show dela, que autografasse dois CDs piratas de músicas dela para eu distribuir no Pirão. Qual a história mais interessante destes sete anos do MMM?

André: Putz, foram várias! Cada pessoa que se aproximou do blog e que rendeu ao menos uma noite no boteco (ou uma manhã na Galeria dos Pão, né?) rende uma bela história! Talvez a mais maluca, cheia de meandros, encontros, despedidas, altos, baixos e emoções relacionadas ao blog ainda não tenha terminado, já que me tornei noivo dela… Mas enfim, vou resumir uma, que ainda não contei em detalhes (por pura preguiça) e eu adoro. Certa vez, uma professora pediu autorização para usar trechos do blog em um livro didático infantil. Autorizei com alegria, sem imaginar que o tal “livro” era, na verdade, um módulo da apostila Positivo, usada no Brasil inteiro! Graças a isso, recebi e-mails de alunos da quinta série por um bimestre inteiro! Cheguei inclusive a visitar uma escola dessas, onde fui sabatinado pela garotada! Foi uma experiência sensacional!

VP: Eu sempre lhe tive na conta de um dos mais prolíficos produtores de blog da rede. Mas o MMM anda meio sumido, como andava aí um Belchior qualquer. Como seu espírito define esse tempo atual? fase, crise, mudança de rumo, não faço idéia ou NRA?

André: Não só o MMM, mas também outras propostas bloguísticas que inaugurei com a Lu recentemente – o blog de novelas e o blog da Copa. Mas subitamente fui envolvido em minha carreira de professor, que acabou sendo o direcionamento que fui levando… E nesse contexto, acabo preparando uma porção de coisas que não refletem nessas atividades que me dão prazer! E é uma pena, pois devo ter de cem arquivos no meu Google Docs, cada um com um esboço de post que um dia comecei… Agora, posso dizer com certeza que os blogs não morreram. Apenas refletem minha “vida lá fora”… 😛

VP: Era o que eu ia perguntar. É fato que o MMM sempre teve a tecnologia da informação na rede como um dos temas mais caros. Se afastar disso, ter de assumir que a “vida lá fora” por vezes tem “peso maior” que a “vida virtual” não lhe angustia?

André: Na verdade, não vejo como angústia, mas praticamente uma opção para que as coisas que estou me dedicando fluam mais. Talvez a opção errada, mas enfim. Não quero me livrar dos blogs, pelo contrário. Como entrei agora no mestrado, queria inclusive abrir um novo espaço, pra dedicar discussões ao tema que pretendo pesquisar, Mas ao mesmo tempo, eu me conheço bem… Se não dou conta sequer do meu blog preferido, que dirá mais um! :O

VP: Uma das coisas costumeiras entre os blogueiros é que a maioria – com raras exceções – acaba lendo muitos blogs tb. Tem algum blog que você já lia desde o início do MMM e que você considera indispensável até hoje? e qual blog surgiu e se extinguiu nesse período e deixou saudades?

André: Eu tento ler uma porção. Digo que tento pois meus itens não lidos do Google Reader estão sempre em “1000+”. Como se fosse bonito. Mas enfim… Ainda nos primórdios, lembro de ter encontrado, num mesmo domínio, dois blogs que eu adoraria ser quando crescer e que, só por coincidência, foram gerados na mesma cidade da minha família. Certamente estão entre os primeiros que linquei: o do casal Ricardo Araújo e Raquel Recuero. Até hoje estão entre os meus favoritos. Puxa, e entre os que se extinguiram… Tinha o Pulso Único, do Eduardo Stuart, repleto e joguinhos viciantes. O Final do Fuzo (que reencarnou no Maldita Cultura Pop) era genial. Daquela época que começamos, gostava ainda do Mundo Foderoso, do Daniel Zíngari (que assinava como Vincent Vega); do Repórter Mosca, do Fausto Rêgo; do Jornaleco!, do Carlos Vidigal… Às vezes fico me perguntando onde foram parar estes e outros personagens da nossa “Era Blogger”, como a Thakira e seus templates, o Jaks (conterrâneo da Cambada de Recife), entre outros tantos…

VP: Falando um pouco do ambiente virtual e aproveitando que você é um jornalista/blogueiro: Eu vejo essa rusga eterna entre jornalistas e blogueiros como algo assim posto: jornalistas dizem que blogueiros não tem credibilidade, blogueiros acusam jornalistas de não serem independentes. É assim mesmo? Algum dia esse cenário mudará e blogueiros alcançarão a credibilidade de jornalistas ou jornalistas, a independência de blogueiros?

André: Não, não é assim mesmo. Esses rótulos não fazem sentido por uma razão bem simples: todos esses rótulos – “de direita”, “de esquerda” de milícia”, “de aluguel”, valem pra qualquer “categoria”. Com o perdão do chavão, esse esforço em definir preto ou branco ignora os milhões
de tons de cinza possíveis, e essa complexidade formada por múltiplas vozes exige uma lógica diferente, onde qualquer um pode enxergar uma nova oportunidade. E não são só blogueiros ou jornalistas: as próprias fontes primárias, como algumas celebridades que se arriscam no Twitter
(para o bem ou para o mal), podem entender essa dinâmica e alcançar esta credibilidade. Enfim, ainda vamos nos surpreender um bocado com esses debates fora de foco – este, sobre o “fim da blogosfera” é outro. Amanhã vai ser o “fim do Twitter”, assim que o google Wave ou qualquer ferramenta batuta decolar…

VP: Não sei quanto a você, mas eu trabalho diretamente com internet há cerca de 14 anos. Em metade desse tempo, eu tive um blog. O que você acha que, nesses sete anos, foram as apostas mais bem sucedidas e as mais fracassadas da rede? Uma de cada. E não vale citar a Madoninha Capixaba como fracasso.

André: Uau! Bom, meu tempo envolvido com internet é um pouquinho menor – onze anos. Mas como conversamos uma vez na Galeria dos Pão, é muito bacana termos atravessado essa fase com ares de pioneirismo, de certa forma isso ajuda a enxergar as boas e más oportunidades, não? Entre as fracassadas nestes sete anos… Vou arriscar uma: cobrar por um serviço que pode ser obtido de graça. E dá pra pinçar inúmeros modelos. Mas como estamos falando em blogs, teve a história clássica da cobrança da Globo.com pelo uso do Blogger Brasil. Naquela época, fiquei com a impressão de que, realmente, os usuários daquele serviço fariam questão de pagar pra permanecer com o endereço – como se todos fossem uns nostálgicos presos ao passado, como eu! Hahaha!

VP: Pobre Blogger Brasil…

André: Agora, entre as que deram certo… Caceta, é difícil reconhecer algo que realmente dê certo, né? É tão mais fácil meter o pau… Ah, mas como você citou “cases que deram certo na rede”, vou dar uma resposta fácil: Google.

VP: Sim…

André: A história do Google é fascinante. Dois caras inteligentes bolaram um algoritmo e, a partir dele, criaram uma empresa sem os vícios corporativos que conhecemos.

VP: Eu ainda citaria RSS/Feeds e talvez, as redes sociais. O próprio Twitter é um fenômeno. Mas o Google é realmente coisa de outro planeta.  Talvez o Google seja outro planeta…

André: Verdade. O Twitter é uma dessas coisas que, de repente, pegaram por aqui. Mas ainda acho que ele pode ser substituído por alguma coisa que faça com que a gente troque pequenas mensagens curtas de um jeito mais fácil. Um jeito “Google”, digamos.

VP: Possivelmente. É questão de tempo, creio. Falando nisso, momento jabá… a volta do futebol de botão é outro fenômeno na rede, sabia? hahahahahahaha! Ontem mesmo, no caderno de informática do Globo, estavam anunciando um joguinho de botão virtual para o iPhone…:-)

André: Hahahahahahahahaha!!! Boa notícia pro Escudinhos, certamente um dos melhores blogs do ramo botonístico!

VP: Eu já devo ter uns três dólares de Adsense lá. Preciso verificar. Dá pra comprar uma mariola usada, em bom estado talvez. Bem, mas falando em iPhone, vossa insolência é um cara convergente ou divergente?

André: Depende do tema. Eu me considero “convergente”, na medida do possível. Mas ultimamente, ando mais “divergente”: não me sinto à vontade com relações virtuais, especialmente envolvendo marcas, produtos e afins.

VP: Ah, sim… você fala do já famoso caso dos bonés da Puma?

André: Sim, este e muitos outros. Fico com a impressão que algumas figuras ficaram impressionadas com o poder que, de repente, eles receberam com sua presença em rede. Algo como: faturar cem contos pra escrever sobre uma delas. Não vejo mesmo problemas em capitalizar esta lógica, mas nem todo mundo parece ter entendido que a dinâmica é diferente do que vemos na mídia tradicional, sabe?

VP: Olha, esse é um daqueles assuntos que eu tenho até medo de comentar, hehehe. Dia desses um grande publicitário conhecido meu, cara que eu respeito muitíssimo, me pediu uma opinião sobre publicidade na rede. Eu me perguntava: conto a ele ou não? hehe. Mas, como se diz… tenho que levar o leite das crianças pra casa. Literalmente…;-)

André: Hahahahahahahahaha! É, talvez seja a melhor resposta. Vez ou outra, temo pelo meu futuro profissional em função de algumas opiniões…

VP: Voltando um pouquinho. No caso, a convergência que eu quis dizer era de aparelhagem mesmo. Você é dos que gostam daquelas engenhocas ultra-super-plus que fazem tudo ou, como o tio velho aqui, acha que telefone é pra telefonar, uólquimém é pra ouvir música e máquina é pra tirar retrato e tudo junto não funciona nenhuma das coisas bem?

André: Aaaahhhh! Hahahahahahaha!!! Bom, desde que consegui instalar o gmail num celularzinho bem simplezinho que tive há um tempo, fiquei com vontade de testar um smartphone. E há um ano piloto um “cleverphone” – não é exatamente “smart”, mas faz algumas coisinhas batutas.

VP: Escrever em teclado de celular costuma me dar frêmitos de ódio. E olha que nos tempos difíceis, até relação eu discutia via torpedo…

André: Exatamente! O tecladinho me incomoda! Não vejo a hora de trocar meu atual telefone por um desses com teclado QWERTY! Agora, hoje, por exemplo: e-mail, twitter e navegações rápidas no celular são constantes.

VP: Convergente. Parabéns. Have lots of fun…:-)

André: Tem uma citação ótima do Douglas Adams, que é mais ou menos assim: até os nossos 20 anos, absorvemos toda a tecnologia existente numa boa; entre os 20 e 40 anos, ainda entendemos parte da evolução, mas não exatamente no mesmo ritmo; dos 40 anos em diante, só presta aquilo que é do meu tempo. 🙂

VP: Hahahahaha. Pronto. É isso. Ano que vem eu chego, não muito glorioso, aos 40.

André: Uia! Vai ter festona!

VP: Toda data fechada eu prometo que vou fazer uma festona. E desisto. Por um motivo óbvio: Eu odeio festas! Hahahaha!

André: Sério? Mas por que?

VP: Tirando o fato emocional (dava uma tese, essa merda…) de que quase a totalidade de minhas festas foi una grande buesta, mesmo olhando racionalmente para a coisa, eu sempre me pergunto: o que fazer numa festa? como me comportar numa festa? E nunca chego a uma conclusão razoável. Festa pra mim é como, por exemplo, se eu fosse a uma praia de nudismo. Ia ficar o tempo todo sem saber onde colocar as mãos.

André: Hahahaha! Ah, entendo você. Normalmente, não faço festa. Simplesmente aviso uma turma que vou celebrar meu aniversário num bar. Que, diga-se, é sempre o mesmo, e só eu frequento… Imagino que os donos marcam no calendário: “maio está chegando, vamos fazer o orçamento do ano que vem, pois nossas contas vão fechar”…

VP: hahahahahahaha

André: E é estranho mesmo “juntar panelas” distintas, não dá pra ficar sentado num mesmo lugar a noite toda…

VP: Falando sério de novo: O livro 1984, do George Orwell (que eu imagino que você já leu) é uma assustadora profecia sobre os dias de hoje. A história sendo reescrita dia a dia, a destruição das raízes culturais linguísticas como forma de dominação e o fantasma da eterna vigilância são aspectos facilmente identificáveis na internet hoje em dia. Qual a melhor definição da rede, então? uma poderosa e democrática via para a opinião e a manifestação livre dos indivíduos ou um sorvedouro de almas inocentes controlado pelo poder vigente? ou ambas as coisas ou nenhuma delas?

André: Uau, pergunta complexa! Bom, vou tentar não fazer um tratado aqui, por isso corro o risco de ser simplista ao tentar responder “ambas as coisas”: gosto muito da palavra “apropriação” para explicar alguns comportamentos em rede. Tomando como exemplo a Internet, que está
prestes a fazer 40 anos. Nasceu filhinha de militares, com quatro computadores interconectados. Cresceu nas faculdades, em arquitetura totalmente aberta, apropriada por acadêmicos que criaram a base de todos os movimentos em “código aberto”. Na adolescência, foi novamente
apropriada por corporações, que viram nessa rede de redes uma tremenda oportunidade de negócios (hoje mais madura, graças à bolha das ponto com em 2000). Enfim, chegamos ao ponto em que essa evolução tecnológica faz com que qualquer Zé Ruela pode se apropriar de ferramentas para se compartilhar informações. Alguns com mais influência que outros – mas veja, isso não tem a ver com a infra-estrutura, com linguagem de programação. Tem a ver com o pensamento humano, com os nossos objetivos. Tem gente que deseja unir pessoas para salvar o planeta, enquanto outros preferem garantir o funcionamento do sistema como está para cumprir metas de desempenho. É assim na rede e na vida. E só pra citar 1984, temos as nossas “novilinguas” para superar: o inglês, que nos aprisiona sim ao não saber lidar com conteúdos vindos de fora, e o “politiquês”, interessado em substituir aproppriar por controlar…

VP: Sim… bem, uma última perguntinha, pois já são duas da madruga, meu limite atual de insanidade pra quem acorda às 6:30. Como se sente um taurino legítimo – ou seja, amante do que é permanente e durável – diante de um mundo onde as coisas, as idéias e as rotinas são tão voláteis e tão inconstantes como, por exemplo, este nosso mundo virtual, a blogosfera, a internet como um todo? (pergunto porque minha lua é em touro. ou seja, meu problema são só as mulheres duráveis)…

André: Hahahahahahahahaha!!! Bom, talvez seja algo próprio desse negócio que chamamos de “cerumano”, mas a gente não consegue conviver muito tempo com coisas que nos assustam. Nesse sentido, eu realmente me assusto um pouco com essa volatilidade. Mas pra seguir em frente, eu me seguro firme naquilo que eu tenho certeza, sabe? Minha profissão, minhas escolhas de vida, as pessoas mais próximas… Assim, sempre que vejo algo como “nossa, olha só aquele/aquilo, como mudoou”… O complemento é sempre algo como “bom, mas no fundo, isso ˜não importa”.

VP: Sim, sim. É, uma base sólida é importante. Eu vivo angustiado com isso, mas de outro jeito. As rotinas e as pessoas mudarem nem me importa muito. O que me mata são coisas que quebram. Que escangalham.Carros, celulares, computadores. Pense num cabra desarvorado quando quebra uma coisa. No fundo, acho que vc está mais tranquilo que eu com seu touro.

André: Imagino… Coisas da sociedade do consumo. Compremos outro, ue.

VP: Fazer o quê? Meu véio, prazer imenso.

André: Me diverti bastante! Valeu. Abração. Boa noite, bom descanso!

VP: Desu queira. (Desu é ótimo.)
Aemm.

André: Desu é api, aemm. (igerja uvinresal dos dislxiecos)

VP: hahahahahahahahahaa

André: 🙂

VP: My turn um cadim. Uma das coisas mais surreais que rolaram no pirão nesses sete anos, foi o caso em que eu conheci a tecladista Delia Fischer (que está atualmente em cartaz com o espetáculo Beatles num Céu com Diamantes) através do blog e lhe pedi, em um show dela, que autografasse dois CDs piratas de músicas dela para eu distribuir no pirão. Qual a história mais interessante destes sete anos do MMM?

André: Putz, foram várias! Cada pessoa que se aproximou do blog e que rendeu ao menos uma noite no boteco (ou uma manhã na Galeria dos Pão, né?) rende uma bela história! Talvez a mais maluca, cheia de meandros, encontros, despedidas, altos, baixos e emoções relacionadas ao blog ainda não tenha terminado, já que me tornei noivo dela… Mas enfim, vou resumir uma, que ainda não contei em detalhes (por pura preguiça) e eu adoro. Certa vez, uma professora pediu autorização para usar trechos do blog em um livro didático infantil. Autorizei com alegria, sem imaginar que o tal “livro” era, na verdade, um módulo da apostila Positivo, usada no Brasil inteiro! Graças a isso, recebi e-mails de alunos da quinta série por um bimestre inteiro! Cheguei inclusive a visitar uma escola dessas, onde fui sabatinado pela garotada! Foi uma experiência sensacional!

VP: Eu sempre lhe tive na conta de um dos mais prolíficos produtores de blog da rede. Mas o MMM anda meio sumido,

como andava aí um Belchior qualquer. Como seu espírito define esse tempo atual? fase, crise, mudança de rumo, não faço idéia ou NRA?

André: Não só o MMM, mas também outras propostas bloguísticas que inaugurei com a Lu recentemente – o blog de novelas e o blog da Copa. Mas

subitamente fui envolvido em minha carreira de professor, que acabou sendo o direcionamento que fui levando… E nesse contexto, acabo

preparando uma porção de coisas que não refletem nessas atividades que me dão prazer! E é uma pena, pois devo ter de cem arquivos no meu

Google Docs, cada um com um esboço de post que um dia comecei… Agora, posso dizer com certeza que os blogs não morreram. Apenas refletem

minha “vida lá fora”… 😛

VP: Era o que eu ia perguntar. É fato que o MMM sempre teve a tecnologia da informação na rede como um dos temas mais caros. Se afastar

disso, ter de assumir que a “vida lá fora” por vezes tem “peso maior” que a “vida virtual” não lhe angustia?

André: Na verdade, não vejo como angústia, mas praticamente uma opção para que as coisas que estou me dedicando fluam mais. Talvez a opção

errada, mas enfim. Não quero me livrar dos blogs, pelo contrário. Como entrei agora no mestrado, queria inclusive abrir um novo espaço, pra

dedicar discussões ao tema que pretendo pesquisar, Mas ao mesmo tempo, eu me conheço bem… Se não dou conta sequer do meu blog preferido,

que dirá mais um! :O

VP: Uma das coisas costumeiras entre os blogueiros é que a maioria – com raras exceções – acaba lendo muitos blogs tb. Tem algum blog que você já lia desde o início do MMM e que você considera indispensável até hoje? e qual blog surgiu e se extinguiu nesse período e deixou saudades?

André: Eu tento ler uma porção. Digo que tento pois meus itens não lidos do Google Reader estão sempre em “1000+”. Como se fosse bonito. Mas
enfim. Ainda nos primórdios, lembro de ter encontrado, num mesmo domínio, dois blogs que eu adoraria ser quando crescer e que, só por coincidência, foram gerados na mesma cidade da minha família. Certamente estão entre os primeiros que linquei: o do casal <a href=”http://pontomidia.com.br/ricardo&#8221; target=”_blank”>Ricardo Araújo</a> e <a href=”http://pontomidia.com.br/raquel&#8221; target=”_blank”>Raquel Recuero</a>. Até hoje estão entre os meus favoritos. Puxa, e entre os que se extinguiram… Tinha o Pulso Único, do Eduardo Stuart, repleto e joguinhos viciantes. O Final do Fuzo (que reencarnou no <a href=”http://dialetica.org/malditaculturapop”>Maldita Cultura Pop</a> era genial. Daquela época que começamos, gostava ainda do <a href=”http://mundofoderoso.blogger.com.br”>Mundo Foderoso</a>, do Daniel Zíngari (que assinava como Vincent Vega); do <a href=”http://mosca.blogspot.com”>Repórter Mosca</a>, do Fausto Rêgo; do <a href=”http://jornaleco2.blogspot.com”>Jornaleco!</a&gt;, do Carlos Vidigal… Às vezes fico me perguntando onde foram parar estes e outros personagens da nossa “Era Blogger”, como a Thakira e seus templates, o Jaks (conterrâneo da <a href=”http://cambada.net”>Cambada</a&gt; de Recife), entre outros tantos…

VP: Falando um pouco do ambiente virtual e aproveitando que você é um jornalista/blogueiro: Eu vejo essa rusga eterna entre jornalistas e blogueiros como algo assim posto: jornalistas dizem que blogueiros não tem credibilidade, blogueiros acusam jornalistas de não serem independentes. É assim mesmo? Algum dia esse cenário mudará e blogueiros alcançarão a credibilidade de jornalistas ou jornalistas, a independência de blogueiros?

André: Não, não é assim mesmo. Esses rótulos não fazem sentido por uma razão bem simples: todos esses rótulos – “de direita”, “de esquerda” de milícia”, “de aluguel”, valem pra qualquer “categoria”. Com o perdão do chavão, esse esforço em definir preto ou branco ignora os milhões
de tons de cinza possíveis, e essa complexidade formada por múltiplas vozes exige uma lógica diferente, onde qualquer um pode enxergar uma
nova oportunidade. E não são só blogueiros ou jornalistas: as próprias fontes primárias, como algumas celebridades que se arriscam no Twitter
(para o bem ou para o mal), podem entender essa dinâmica e alcançar esta credibilidade. Enfim, ainda vamos nos surpreender um bocado com
esses debates fora de foco – este, sobre o “fim da blogosfera” é outro. Amanhã vai ser o “fim do Twitter”, assim que o google Wave ou qualquer ferramenta batuta decolar…

VP: Não sei quanto a você, mas eu trabalho diretamente com internet há cerca de 14 anos. Em metade desse tempo, eu tive um blog. O que você

acha que, nesses sete anos, foram as apostas mais bem sucedidas e as mais fracassadas da rede? Uma de cada. E não vale citar a Madoninha

Capixaba como fracasso.

André: Uau! Bom, meu tempo envolvido com internet é um pouquinho menor – onze anos. Mas como conversamos uma vez na Galeria dos Pão, é muito

bacana termos atravessado essa fase com ares de pioneirismo, de certa forma isso ajuda a enxergar as boas e más oportunidades, não? Entre as

fracassadas nestes sete anos… Vou arriscar uma: cobrar por um serviço que pode ser obtido de graça. E dá pra pinçar inúmeros modelos. Mas

como estamos falando em blogs, teve a história clássica da cobrança da Globo.com pelo uso do Blogger Brasil. Naquela época, fiquei com a

impressão de que, realmente, os usuários daquele serviço fariam questão de pagar pra permanecer com o endereço – como se todos fossem uns

nostálgicos presos ao passado, como eu! Hahaha!

VP: Pobre Blogger Brasil…

André: Agora, entre as que deram certo… Caceta, é difícil reconhecer algo que realmente dê certo, né? É tão mais fácil meter o pau… Ah,

mas como você citou “cases que deram certo na rede”, vou dar uma resposta fácil: Google.

VP: Sim…

André: A história do Google é fascinante. Dois caras inteligentes bolaram um algoritmo e, a partir dele, criaram uma empresa sem os vícios

corporativos que conhecemos.

VP: Eu ainda citaria RSS/Feeds e talvez, as redes sociais. O próprio twitter é um fenômeno. Mas o Google é realmente coisa de outro planeta.

Talvez o Google seja outro planeta…

André: Verdade. O Twitter é uma dessas coisas que, de repente, pegaram por aqui. Mas ainda acho que ele pode ser substituído por alguma coisa

que faça com que a gente troque pequenas mensagens curtas de um jeito mais fácil. Um jeito “Google”, digamos.

VP: Possivelmente. É questão de tempo, creio. Falando nisso, momento jabá… a volta do futebol de botão é outro fenômeno na rede, sabia?

hahahahahahaha! Ontem mesmo, no caderno de informática do Globo, estavam anunciando um joguinho de botão virtual para o iPhone…:-)

André: Hahahahahahahahaha!!! Boa notícia pro Escudinhos, certamente um dos melhores blogs do ramo botonístico!

VP: Eu já devo ter uns três dólares de adsense lá. Preciso verificar. Dá pra comprar uma mariola usada, em bom estado talvez. Bem, mas

falando em iPone, vossa insolência é um cara convergente ou divergente?

André: Depende do tema. Eu me considero “convergente”, na medida do possível. Mas ultimamente, ando mais “divergente”: não me sinto à vontade

com relações virtuais, especialmente envolvendo marcas, produtos e afins.

VP: Ah, sim… vc fala do já famoso caso dos bonés da Puma?

André: Sim, este e muitos outros. Fico com a impressão que algumas figuras ficaram impressionadas com o poder que, de repente, eles receberam

com sua presença em rede. Algo como: faturar cem contos pra escrever sobre uma delas. Não vejo mesmo problemas em capitalizar esta lógica,

mas nem todo mundo parece ter entendido que a dinâmica é diferente do que vemos na mídia tradicional, sabe?

VP: Olha, esse é um daqueles assuntos que eu tenho até medo de comentar, hehehe. Dia desses um grande publicitário conhecido meu, cara que eu

respeito muitíssimo, me pediu uma opinião sobre publicidade na rede. Eu me perguntava: conto a ele ou não? hehe. Mas, como se diz… tenho

que levar o leite das crianças pra casa. Literalmente…;-)

André: Hahahahahahahahaha! É, talvez seja a melhor resposta. Vez ou outra, temo pelo meu futuro profissional em função de algumas opiniões…

VP: Voltando um pouquinho. No caso, a convergência que eu quis dizer era de aparelhagem mesmo. Você é dos que gostam daquelas engenhocas

ultra-super-plus que fazem tudo ou, como o tio velho aqui, acha que telefone é pra telefonar, uólquimém é pra ouvir música e câmera é pra

fotografar e tudo junto não funciona nenhuma das coisas bem?

André: Aaaahhhh! Hahahahahahaha!!! Bom, desde que consegui instalar o gmail num celularzinho bem simplezinho que tive há um tempo, fiquei com

vontade de testar um smartphone. E há um ano piloto um “cleverephone” – não é exatamente “smart”, mas faz algumas coisinhas batutas.

VP: Escrever em teclado de celular costuma me dar frêmitos de ódio. E olha que nos tempos difíceis, até relação eu discutia via torpedo…

André: Exatamente! O tecladinho me incomoda! Não vejo a hora de trocar meu atual telefone por um desses com teclado QWERTY! Agora, hoje, por

exemplo: e-mail, twitter e navegações rápidas no celular são constantes.

VP: Convergente. Parabéns. Have lots of fun…:-)

André: Tem uma citação ótima do Douglas Adams, que é mais ou menos assim: até os nossos 20 anos, absorvemos toda a tecnologia existente numa

boa; entre os 20 e 40 anos, ainda entendemos parte da evolução, mas não exatamente no mesmo ritmo; dos 40 anos em diante, só presta aquilo

que é do meu tempo. 🙂

VP: Hahahahaha. Pronto. É isso. Ano que vem eu chego, não muito glorioso, aos 40.

André: Uia! Vai ter festona!

VP: Toda data fechada eu prometo que vou fazer uma festona. E desisto. Por um motivo óbvio: Eu odeio festas! Hahahaha!

André: Sério? Mas por que?

VP: Tirando o fato emocional (dava uma tese, essa merda…) de que quase a totalidade de minhas festas foi una grande buesta, mesmo olhando

racionalmente para a coisa, eu sempre me pergunto: o que fazer numa festa? como me comportar numa festa? E nunca chego a uma conclusão

razoável. Festa pra mim é como, por exemplo, se eu fosse a uma praia de nudismo. Ia ficar o tempo todo sem saber onde colocar as mãos.

André: Hahahaha! Ah, entendo você. Normalmente, não faço festa. Simplesmente aviso uma turma que vou celebrar meu aniversário num bar. Que,

diga-se, é sempre o mesmo, e só eu frequento… Imagino que os donos marcam no calendário: “maio está chegando, vamos fazer o orçamento do

ano que vem, pois nossas contas vão fechar”…

VP: hahahahahahaha

André: E é estranho mesmo “juntar panelas” distintas, não dá pra ficar sentado num mesmo lugar a noite toda…

VP: Falando sério de novo: O livro 1984, do George Orwell (que eu imagino que você já leu) é uma assustadora profecia sobre os dias de hoje. A história sendo reescrita dia a dia, a destruição das raízes culturais linguísticas como forma de dominação e o fantasma da eterna vigilância são aspectos facilmente identificáveis na internet hoje em dia. Qual a melhor definição da rede, então? uma poderosa e democrática via para a opinião e a manifestação livre dos indivíduos ou um sorvedouro de almas inocentes controlado pelo poder vigente? ou ambas as coisas ou nenhuma delas?

André: Uau, pergunta complexa! Bom, vou tentar não fazer um tratado aqui, por isso corro o risco de ser simplista ao tentar responder “ambas as coisas”: gosto muito da palavra “apropriação” para explicar alguns comportamentos em rede. Tomando como exemplo a Internet, que está
prestes a fazer 40 anos. Nasceu filhinha de militares, com quatro computadores interconectados. Cresceu nas faculdades, em arquitetura totalmente aberta, apropriada por acadêmicos que criaram a base de todos os movimentos em “código aberto”. Na adolescência, foi novamente
apropriada por corporações, que viram nessa rede de redes uma tremenda oportunidade de negócios (hoje mais madura, graças à bolha das ponto
com em 2000). Enfim, chegamos ao ponto em que essa evolução tecnológica faz com que qualquer Zé Ruela pode se apropriar de ferramentas para se compartilhar informações. Alguns com mais influência que outros – mas veja, isso não tem a ver com a infra-estrutura, com linguagem de programação. Tem a ver com o pensamento humano, com os nossos objetivos. Tem gente que deseja unir pessoas para salvar o planeta, enquanto outros preferem garantir o funcionamento do sistema como está para cumprir metas de desempenho. É assim na rede e na vida. E só pra citar 1984, temos as nossas “novilinguas” para superar: o inglês, que nos aprisiona sim ao não saber lidar com conteúdos vindos de fora, e o “politiquês”, interessado em substituir aproppriar por controlar…

VP: Sim… bem, uma última perguntinha, pois já são duas da madruga, meu limite atual de insanidade pra quem acorda äs 6:30. Como se sente um

taurino legítimo – ou seja, amante do que é permanente e durável – diante de um mundo onde as coisas, as idéias e as rotinas são tão voláteis

e tão inconstantes como, por exemplo, este nosso mundo virtual, a blogosfera, a internet como um todo? (pergunto porque minha lua é em touro.

ou seja, meu problema são só as mulheres duráveis)…

André: Hahahahahahahahaha!!! Bom, talvez seja algo próprio desse negócio que chamamos de “cerumano”, mas a gente não consegue conviver muito

tempo com coisas que nos assustam. Nesse sentido, eu realmente me assusto um pouco com essa volatilidade. Mas pra seguir em frente, eu me

seguro firme naquilo que eu tenho certeza, sabe? Minha profissão, minhas escolhas de vida, as pessoas mais próximas… Assim, sempre que vejo

algo como “nossa, olha só aquele/aquilo, como mudoou”… O complemento é sempre algo como “bom, mas no fundo, isso ˜não importa”.

VP: Sim, sim. É, uma base sólida é importante. Eu vivo angustiado com isso, mas de outro jeito. As rotinas e as pessoas mudarem nem me

importa muito. O que me mata são coisas que quebram. Que escangalham.Carros, celulares, computadores. Pense num cabra desarvorado quando

quebra uma coisa. No fundo, acho que vc está mais tranquilo que eu com seu touro.

André: Imagino… Coisas da sociedade do consumo. Compremos outro, ue.

VP: Fazer o quê? Meu véio, prazer imenso.

André: Me diverti bastante! Valeu. Abração. Boa noite, bom descanso!

VP: Desu queira. (Desu é ótimo.)
Aemm.

André: Desu é api, aemm. (igerja uvinresal dos dislxiecos)

VP: hahahahahahahahahaa

André: 🙂